sábado, 21 de abril de 2012

ADELIA PRADO

Tem dias que sem querer achamos a mina de pedras preciosas,
 o tesouro escondido,
 a beleza desnuda saindo do coração do simples!
Foi assim, que de repente conheci...reconheci....
Adelia Prado.
Tudo tão simples,
tão singelo!
Amei!
Por isso, quero dividir com vocês.


Deus de vez em quando me tira a poesia.
Olho para uma pedra e vejo uma pedra

Adélia Prado


"O que a memória ama, fica eterno.

Te amo com a memória, imperecível."

Adélia Prado


"O sonho encheu a noite

Extravasou pro meu dia

Encheu minha vida

E é dele que eu vou viver

Porque sonho não morre"

Adélia Prado


Sei que gostaram.
Qualquer hora trago mais...






OS FILHOS DA TERRA

Os filhos da terra...

No ano de 1854, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Pierce, fez a uma tribo indígena a proposta de comprar grande parte de suas terras, oferecendo, em troca, a concessão de uma “reserva”.

O texto da resposta do Chefe Seatle, distribuído pela ONU – Programa para o Meio Ambiente -, publicado na íntegra, tem sido considera do, através dos tempos, como um dos mais belos e profundos pronunciamentos já feitos para a defesa do meio ambiente.

“Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu o povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra da floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência do meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.

“Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos das campinas, o calor do corpo do potro, e o homem, todos pertencem à mesma família. “Portanto, quando o grande Chefe de Washington manda dizer que deseja comprar a nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.

“Essa água brilhante que escorre dos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida de meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam a nossa sede. Os rios carregam as nossas canoas e alimentam as nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar seus filhos que os rios são nossos irmãos, e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
“Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata a sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a Terra, deixando somente um deserto.

“Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão das suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda. Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreenda. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite?

“Eu sou um homem vermelho e não compreendo.

“O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros. O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham do mesmo sopro – o animal, a árvore, o homem, todos compartilham do mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira,. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos a nossa terra ao homem branco, ele deve se lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que o mantém. O vento que deu ao nosso avô seu primeiro inspirar também recebeu seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

“Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

“O que é o homem sem os animais? se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo. Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da Terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue de uma família. Há uma ligação em tudo O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da Vida; ele é simplesmente um dos seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si próprio.


“Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos – e o homem branco deverá vir a descobrir um dia – nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que o possuem, como desejam possuir nossa terra, mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu Criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo do que as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

“Mas, quando da sua desaparição, vocês brilharão intensamente iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa sejam impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência.”


Fonte: A Era do Espírito

sexta-feira, 20 de abril de 2012

OLHAI OS LÍRIOS DOS CAMPOS

"Estive pensando muito na fúria cega com que os homens
 se atiram à caça do dinheiro.
É essa a causa principal dos dramas, das injustiças,
da incompreensão da nossa época.
Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam
 o que a vida lhes oferece de melhor:
as relações de criatura para criatura.
De que serve construir arranha-céus se
 não há mais almas humanas para morar neles?

É indispensável trabalhar,
 pois um mundo de criaturas passivas seria também
 triste e sem beleza.
Precisamos, entretanto,
 dar um sentido humano às nossas construções.
 E quando o amor ao dinheiro,
ao sucesso,
nos estiver deixando cegos,
saibamos fazer pausas para
 olhar os lírios do campo e as aves do céu.

Há na terra um grande trabalho a realizar.
 É tarefa para seres fortes, para corações corajosos.
 Não podemos cruzar os braços.

É indispensável que conquistemos este mundo,
 não com as armas do ódio e da violência,
e sim com as do amor e da persuasão.

Quando falo em conquistas,
quero dizer a conquista duma situação decente
 para todas as criaturas humanas,
 a conquista da paz digna,
através do espírito de cooperação."





Érico Veríssimo In Olhai os Lírios do Campo

terça-feira, 17 de abril de 2012

CASAMENTO....

Casamento
 

Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar,
 pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não.
A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom,
 só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como...

 “este foi difícil”

“prateou no ar dando rabanadas”

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez...


atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim,
 os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.



Adélia Prado.

domingo, 15 de abril de 2012

O QUE É LEVE NOS FAZ FELIZ!

"A dica é...
 esquecer o que prometeu e não cumpriu,

falou e deixou de falar,

fez suplicas e esqueceu.

Vai pelo que te faz bem..

faz com que você esqueça do tempo.

Tenta te orientar...

pelo calendário das flores,

esquece, por um momento...

os números,

a semana,

o dia do teu nascimento.

Se conseguires ser leve...

aproveita,

 enche tuas malas de sonho

e toma carona no vento."

 
Fernando Campanella

sexta-feira, 13 de abril de 2012

POR FAVOR CUIDEM DA MAMÃE

Acabei de ler um livro que me foi sugeido pela minha nora.
Penso que ela estava sintonizada comigo, pois a sugestão de leitura veio quase em seguida o sepultamento da minha mãe.
Foram dias, aguardando notícias da UTI, imaginando o que ela estaria pensando sobre estar lá dentro sozinha e nós aqui fora.
Seus sentimentos diante de tão grande dificuldade. Lutar pela sua vida!

Este livro nos traz uma grande reflexão.
Nos coloca a viver uma grande perda, sem necessáriamente termos perdido alguém.
A empatia é imediata! Até porque dia desses sonhei que perdi minha mãe em S. Paulo.
Leiam e não se arrependerão!





Minha querida mãezinha,
Revi tantos fatos vividos por nós duas, dentro dessa história!
Até a narrativa de como ela gostava de pegar a mãozinha do seu bebê.
Me lembrei que dizia que a cada ano, ao pegar a mãozinha do seu bebê, sentia que ela havia crescido e tinha vontade de ter outra mãozinha pequenina para segurar. Foi assim, que teve seus noves filhos e nunca os achou bastante.
Te amo querida! E te amarei eternamente.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

APENAS REPASSANDO.... UM LINDO TEXTO QUE LI NO BLOG I believe... do you?

NOS SOPROS DA ALVORADA.




Há dias em que a saudade entra,
 vagabunda,
pelas frestas da janela,
 e me acorda com um beijo.
E, quando volto a dormir,
já não vou só.
 A dor vem comigo.


É esse o peso das ausências que chegam
no sopro da madrugada.
 O sopro inconstante que envolve e abraça, preenche e incomoda.
O sopro que nos lembra
que fica apenas o nada depois de tudo
 porque o próprio mundo se perde
 por entre as curvas cerradas ...
do desejo de vencer o impossível.

De olhos fechados,
 vejo-me arrancada de sonhos mais doces,
pela vontade de poder tornar reais
 essas mentiras
que a minha alma inventa para me manter viva. E abrir os olhos,
 é somente encontrar a verdade,
 envolta pelos sentimentos frios
 que tentei esconder
 no que há de mais profundo em mim.


A saudade.
 Esse sopro constante
que me arrefece a alma e
me gela o coração.
 Essa vaga de sentidos que
me tolhe nas dores mais insensatas.
É ela que me visita a cada manhã,
 por entre a luz morna da alvorada
e o fim mal pressentido da escuridão.
Luz e trevas.
 Memória e esquecimento.
Desilusão cantada e despida de razões.
 É tudo isso que me acorda dos meus sonhos e me atira para as paradas...
de tortura lenta que me moem
 ao longo de todo o dia.


Mas,
inconsciente do mal que causa,
 é a saudade que me aconchega
e é ela que me canta uma canção de embalar para que durma um pouco mais.
 É ela que se entranha nos meus sonhos
 e me traz as visões mais belas
de tudo o que foi e já não é.
 E é ela que me sorri quando
o sono me toma nos braços
 e a dor atenua um pouco.


Há dias em que a saudade entra e me beija,
 me fere.
E fico a pensar,
 entre o sono e a consciência que está tudo bem. Talvez,
apesar de tudo, seja essa dor a única capacidade de sentir que me restou.
Então,
deixo a saudade entrar pelas frestas da janela e
 abraço-a junto a mim.
Para sentir,
 não importa o quê.
 E adormecemos as duas
na dor mas com um sorriso no rosto
 porque sabemos que,
 independentemente de tudo,
 somos uma da outra,
para sempre.


Marina Ferraz

Blog I believe... do you?