segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

PACIÊNCIA

PACIÊNCIA"""

(Arnaldo Jabor)



Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.



Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"... E o bem

comportado executivo?



O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...



Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça

sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice.



O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.

Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado...



Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.



Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.



A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.



Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer chegar?

Qual é a finalidade de sua vida?

Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.



E você?

Aonde você quer chegar?

Está correndo tanto para quê?

Por quem?

Seu coração vai agüentar?

Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?

A empresa que você trabalha vai acabar?

As pessoas que você ama vão parar?

Será que você conseguiu ler até aqui?



Respire... Acalme-se...



O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência...



NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL.





SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA

domingo, 4 de dezembro de 2011

REFLEXOS DE MIM

Caminhando observei os caminhantes e me vi refletida em suas faces.


Todos iguais a mim ou eu sou igual a cada um deles?

Todos somos viajantes da nave terra, buscando os mesmos sonhos de ser feliz.

Uns, assim como eu, já concluída boa parte da caminhada, se pergunta...acertei?

Outros, mais idosos, já vencedores, caminham confiantes do dever cumprido.

Mas...quantos idosos, vencidos, refletem no olhar um cansaço e um desânimo dos que lutaram e não venceram a própria história.

Outros, ainda jovens, rompem a estrada da vida, de peito aberto, com a coragem da juventude, acreditando no futuro e na sua força.

Me vejo em cada olhar...jovem e confiante, me perguntando rumei no caminho certo?, me vi nos olhos dos vitoriosos, mas sei também o que vai no coração dos que têm olhos cansados.

É a colheita da plantação da própria vida.

São nossos erros e acertos, são nossas bagagens pesadas de cada barreira superada. O insucesso também nos traz a vitória do aprendizado.

E todos caminham prá lá e prá cá.

Pensam que vão só. Que rumam a estrada que traçaram.

Não param para refletir que estão juntos, entrelaçados, vivendo a mesma vida, embora com enredos um pouco diferentes para cada um.

Partes do TODO UNIVERSAL, irmãos pela centelha Divina que habita em cada um de nós.

Somos todos iguais em nossas diferenças.

SOMOS TODOS UNO.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

REFLEXÕES TARDIAS...contudo em tempo...




Para minha mãe ...IRACEMA



Ela me amou... a ponto de querer sempre estar comigo.

Preferindo minha presença à sua privacidade.

E esperou...

Esperou que eu crescesse, que amadurecesse e entendesse.

Entendesse a importância de se ter uma cumplicidade de amor.

De estar junto por querer estar, por vontade de ali ficar, por interesse de ouvir contar...

Tantos fatos vividos e não percebidos, dada a urgência de estar crescendo e vivendo sem tempo para se deter.

Aprende-se a olhar o belo quando não mais corremos ao acaso, buscando conhecer a vida.

Aprende-se a ouvir o belo, quando já vivemos um pouco do mundo e selecionamos a importância das palavras, atento a todos os ruídos, mas se detendo somente nas palavras belas.

Mas, de todo o belo apreendido o mais perfeito que conheci foi ela.

Nos seus cabelos brancos, lindos, emanando um respeito que só se adquire vivendo, vivendo e amadurecendo.

No seu olhar que transfere o que vai no coração.

Nas suas mãos, que transbordam carinhos, e não conseguem, contudo me mostrar todo o seu amor.

E ela espera...ainda...

Eu sou toda a sua esperança...

E ao me ver... ela renasce.

Vive através de mim... e do que represento para ela.

E conta ... e reconta...

E espera que eu ouça...

Os fatos... os sonhos...as tristezas.. , as mazelas.

A sua estória sobre a sua vida.

Eu aprendi a ouvir a magia, imaginar as cenas, e a desejar ser como ela.

Pena que tantos anos se passaram e eu os perdi, na urgência da ilusão que se foi, eu não os vivi como devia.

Só agora, vi o verde, a neblina, o orvalho, as folhas secas, o frio, a neve, a luz do sol, a brisa se transformando em vento, a chuva, o verdadeiro cheiro do mundo.

Só agora eu a vi.

No reflexo da minha vida, encaixei a sua.

E o tempo ficou curto.

Ouvirei outras estórias ?

Descobrirei outros tesouros na comunicação muda do seu semblante?

Olharei novamente nos seus olhos, mergulhando no seu orgulho de mim?

Que fiz para merecer?

Apenas...e apenas isso...

Ela me quis e me amou por mim apenas.

Eu precisei de todos estes anos, para conhecê-la, querê-la mais e amá-la verdadeiramente.

 
Irani / 02.11.2003

domingo, 30 de outubro de 2011

ENVELHECER

Quero ter o direito de envelhecer sem culpa, sem ter que me preocupar de esconder os fios de cabelos brancos ou apagar a história escrita na minha face em traços marcados pelos momentos que vivi. Quero ter a serenidade que todos desejam e poucos alcançam, buscando a forma de parecer mais jovem. Fui menina e vivi intensamente minha meninice; fui jovem adolescente e passei por todas as fases: chatas, boas e ruins; próprias da idade. E como jovem adulta aprendi com erros a me levantar após a queda, a esperar e ter esperança. Como jovem senhora passei por tudo que a vida nos presenteia, tive e senti a maravilhosa dádiva de ser mãe..., esposa, mulher, amante e amada. Hoje me preparo para nova fase sou quase uma "velha" senhora, porém sem ser uma senhora velha. Quero desfrutar de tudo que me é de direito: esquecer e depois me lembrar..., caminhar em passos mais lentos e... se correr poder cansar. Perder-me no silêncio e me encontrar nos risos e sorrisos. Relembrar fatos já idos e sentir um aperto no peito; reviver bons momentos, rever velhos e bons amigos rir com eles e chorar também... Quero continuar a sentir a vida... Participar da história de meus filhos e quem sabe de netos e... bisnetos; que também é e será um pouco a minha história. Afinal foi como tudo começou







Estela Cristina B. Terra

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O tecido da vida
Texto de Elizabeth Cavalcante


O tecido de que é feita a vida é composto por muitas tramas, algumas simples, outras com grande multiplicidade de cores e formas, que formam um grande mosaico.

E a principal matéria-prima deste tecido é, sem dúvida alguma, a emoção.
Cada pequeno ato que praticamos, estejamos nós conscientes ou não, é direcionado por uma emoção.

Até mesmo a simples decisão de escolher o sabor de um sorvete é ditada pela sensação de prazer que ele nos proporcionará.
Se estamos tristes, certamente buscaremos naquele alimento, uma forma de compensação, ainda que momentânea, para esta emoção.


Por essa razão, é essencial que permaneçamos conscientes das emoções que estão predominando em nós.
Elas farão toda a diferença e determinarão se nossa vida será feliz ou miserável.

E, se as emoções são as principais componentes do tecido da vida, sem qualquer sombra de dúvida, o amor, a fonte mais poderosa de emoções positivas que temos à nossa disposição, coloca-se como o fio mais valioso deste tecido.

Quando vivemos em perfeita sintonia com nossa essência, com a fonte de amor que habita dentro de nós e que nos originou, nossa vida se transforma num êxtase permanente, pois o coração está sempre no comando.

Senti-lo pulsando a cada instante e conectando-se profundamente com o coração de cada ser que encontramos em nosso caminho, é a única maneira de conhecermos o real e verdadeiro sentido da palavra felicidade.

Busquemos, então, a cada dia, honrar o divino em nós, amando-nos e vivendo em perfeita sintonia com ele, pois só assim nossas ações serão totalmente fiéis aos anseios de nossa alma.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O AMOR

As sem-razões do amor



Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.



Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.



Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.



Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.



Carlos Drummond de Andrade