terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Presente

Melhor do que todos os presentes por baixo da árvore de natal,
É a presença de uma família feliz.

autor desconhecido

domingo, 19 de dezembro de 2010

RECEITA DE FAMÍLIA

"O Arroz de Palma"
        Francisco Azevedo

Família é prato difícil de preparar.

São muitos ingredientes.

Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo.

Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência.

Não é para qualquer um.

Os truques, os segredos, o imprevisível.

Às vezes, dá até vontade de desistir.

Preferimos o desconforto do estômago vazio.

Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio.

Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.

O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.

Súbito, feito milagre, a família está servida.

Fulana sai a mais inteligente de todas.

Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade.

Sicrano, quem diria?

Solou, endureceu, murchou antes do tempo.

Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.

Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe.

Ela, a mais apaixonada.

A outra, a mais consistente.

Você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia.

Como saiu no álbum de retratos?

O mais prático e objetivo?

A mais sentimental?

A mais prestativa?

A que nunca quis nada com o trabalho?

Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo.

Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida.

Não há pressa. Eu espero.

Já estão aí? Todas? Ótimo.

Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados.

Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola.

Não se envergonhe de chorar.

Família é prato que emociona.

E a gente chora mesmo.

De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado:

Temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.

Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas.

Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre.

Família é prato extremamente sensível.

Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido.

Outra coisa:

É preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher.


Saber meter a colher é verdadeira arte.

Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.


O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita.

Bobagem.

Tudo ilusão.

Não existe “Família à Oswaldo Aranha”,

“ Família à Rossini”, Família à “Belle Meunière” ou “Família ao Molho Pardo” em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria.

Família é afinidade, é “à Moda da Casa”.


E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces.

Outras, meio amargas.

Outras apimentadíssimas.

Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de “Família Diet”,

que você suporta só para manter a linha.


Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo.

Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.


Enfim, receita de família não se copia, se inventa.

A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia- a -dia.

A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel.

Muita coisa se perde na lembrança, principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu.


O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer.

Se puder saborear, saboreie.

Não ligue para etiquetas.

Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo.

Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.



"Se tivéssemos consciência do quanto nossa vida é passageira, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes"

















domingo, 12 de dezembro de 2010

NATAL

Novamente chega o Natal.

Mas cadê o NATAL?

A palavra Natal é de origem latina 'natális', derivada do verbo 'nascor, nascéris, natus sum, nasci', significando nascer, ser posto no mundo.
Como adjetivo, significa também o local onde ocorreu o nascimento de alguém ou de alguma coisa.

Mas e o verdadeiro Natal, pouco acontece.
Como nos diz a origem da palavra "Natal", esta significa nascer, mas onde o nascimento?

Comemora-se o nascimento de Jesus nesta data, mas a festa do nascimento de Jesus em nossos corações passa longe desta comemoração.
O amor que deverias ser posto no planeta terra através do homem, ainda não se encontra aqui.



Ao tempo que muitas mesas se encontram abastadas, preparadas antecipadamente para a festa gastronômica, outras se encontram vazias, contempladas por fisionomias vazias, distantes e barrigas também vazias.

A festa que deveria comemorar o nascimento de Jesus com uma confraternização Universal,não acontece...

Novamente aguardamos o próximo Natal e verificamos que a humanidade ainda não entendeu a mensagem do Mestre e não confraterniza com seus irmãos o nascer do "Amor Universal".

O papai Noel, figura mágica que encanta nesta "Festa", visita os lares levando sonhos e renovando alegrias nos lares mais abastados, mas nunca chega aos viadutos, onde a escuridão é amenizada pelas luzes dos carros que se dirigem à grande Festa e onde se encontram famílias e crianças que não entendem as diferenças da sorte.

O natal para estes é tão abstrato quanto o perú das festas,o velhinho barbudo e o aniversariante.

Quando haverá um "NATAL"?

Um nascer, um recomeço, uma festa de comemoração ao nascimento do Amor, como nos pede Jesus?

Façamos a festa!

Que ela surja primeiramente em nossa consciência, após, em nossos corações e aconteça através de nossas mãos.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Vida, bela vida!

A VIDA!

Celebra Tua Vida
Celebra tua vida.
Celebra a alegria de fazer anos de esperança.
Conta teus anos não pelo tempo, mas pelo espaço que fazes em teu coração.
Não pela amargura de uma dor, mas pela ressurreição que ela traz.
Não pelo número de troféus de tuas conquistas, mas pelo gosto de aventura em tuas buscas.
Não pelas vezes que chegaste, mas pelas vezes que tiveste coragem de partir.
Não pelos frutos que colheste, mas pelo terreno que preparaste e as sementes que lançaste.
Não pela quantidade dos que te amam, mas pela medida de teu coração, capaz de amar a todos.
Não pelas desilusões que tiveste, mas pela esperança que infundiste.
Não pelos anos que fazes, mas por aquilo que fazes em teus anos.
Não pelas vezes que celebraste aniversário, mas pelas vezes que teu aniversário se tornou uma celebração de vida.
(autor desconhecido)

sábado, 27 de novembro de 2010

A VIDA APÓS A MORTE.

Quando eu morrer
(Martin Luther King)

Vez ou outra acontece.
Lembramos que um dia abandonaremos o corpo de carne e partiremos para outra realidade.


É nesses momentos que recordamos de elaborar testamento, repartindo o que vamos deixar, entre aqueles que ficarão.


As vontades assim expressas, quase sempre criam disputas familiares, que chegam a se prolongar por anos.


Quanto maiores forem as posses daquele que se foi, a tendência é aumentar a disputa se, entre os contemplados, não existe entendimento, afeto.


Houve um homem, no entanto, que pensando em sua morte, elaborou vontades muito precisas.


Pensou em seu funeral e o que ele poderia significar para o mundo.


Ele era um líder e dizia que não desejava ser idolatrado, mas sim ouvido.


A sua era a luta por direitos humanos e em nome dela, foi preso 10 vezes, nada o demovendo do seu ideal de igualdade entre os homens.




Foi na igreja onde ele era pastor, que falou a respeito da sua morte:




"Freqüentemente eu penso naquilo que é denominador comum e derradeiro da vida: nessa alguma coisa que costumamos chamar de ‘morte’.


Freqüentemente penso em minha própria morte e em meu funeral, mas não em sentido angustiante.


Freqüentemente pergunto a mim mesmo o que gostaria que fosse dito então.


Eu deixo aqui com vocês, esta manhã, a resposta...


Se vocês estiverem ao meu lado, quando eu encontrar meu dia, lembrem-se de que não quero um longo funeral.


E se conseguirem alguém para fazer o ‘discurso fúnebre’, digam-lhe para não falar muito.


Digam-lhe para não mencionar que eu tenho um Prêmio Nobel da Paz: isto não é importante!


Digam-lhe para não mencionar que eu tenho trezentos ou quatrocentos prêmios: isto não é importante!


Eu gostaria que alguém mencionasse aquele dia em que Martin Luther King tentou dar a vida a serviço dos outros.

Eu gostaria que alguém mencionasse o dia em que Martin Luther King tentou amar alguém.


Quero que digam que eu tentei ser direito e caminhar ao lado do próximo.


Quero que vocês possam mencionar o dia em que... tentei vestir o mendigo, tentei visitar os que estavam na prisão, tentei amar e servir a Humanidade.


Sim, se quiserem dizer algo, digam que eu fui um arauto: um arauto da justiça, um arauto da paz, um arauto do direito.


Todas as outras coisas triviais não têm importância. Não quero deixar atrás nenhum dinheiro.


Eu só quero deixar atrás uma vida de dedicação!


E isto é tudo o que eu tenho a dizer:


Se eu puder ajudar alguém a seguir adiante


Se eu puder animar alguém com uma canção


Se eu puder mostrar a alguém o caminho certo


Se eu puder cumprir meu dever cristão


Se eu puder levar a salvação para alguém


Se eu puder divulgar a mensagem que o Senhor deixou...

Então, minha vida não terá sido em vão."


O Reverendo Martin Luther King Junior lutou pelos direitos dos negros nos Estados Unidos.


Foi Prêmio Nobel da Paz em 1964.


Todas as vezes que foi preso, que sofreu atentados à bomba, que sua casa, esposa e filhos foram ameaçados, respondeu com amor.


Dizia que a resposta ao ódio devia ser o amor e continha os seus seguidores para que não reagissem.


Morreu assassinado, conforme previra.


Em seu túmulo, está a prova de que tinha convicção da vida além desta vida.


E que partiu, embora de forma tão brusca, com a alma em paz pela certeza do dever cumprido.


O epitáfio diz: "Enfim livre, enfim livre!


Graças a Deus Todo-poderoso sou finalmente livre!"


Foram estas palavras que usou para concluir o seu mais famoso discurso, intitulado "Eu tenho um sonho", em que traduziu o ideal da liberdade e da igualdade entre todos os homens.


Oxalá todos os que abraçamos uma religião, possamos ter essas idéias lúcidas a respeito da vida e da morte.


Nesse dia, o mundo será muito melhor.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

AINDA É TEMPO!!!!!!

O INVENTÁRIO DAS COISAS PERDIDAS


A meu avô aquele dia o vi diferente.

Tinha o olhar enfocado ao longe.

Quase ausente.

Penso agora que talvez pressentisse que era o último dia de sua vida.

Me aproximei e disse: "Bom dia avô!"

E ele estendeu a sua mão em silêncio.

Me sentei junto ao seu sofá e depois de uns instantes um tanto misteriosos, exclamou:

- "Hoje é dia de inventário, filho!"

"Inventário?" Perguntei surpreso.

Sim. Inventário de tantas coisas perdidas!

Sempre tive desejos de fazer muitas coisas que nunca fiz, por não ter vontade suficiente para sobrepor-me a minha preguiça.

Lembro também daquela menina que amei em silêncio por tantos anos, até que um dia foi embora do povoado sem eu saber.

Também estive a ponto de estudar engenharia, mas não me atrevi.

Lembro de tantos momentos em que fiz mal aos outros por não ter a coragem necessária para falar, para dizer o que pensava.

E outras vezes em que a valentia me faltou para ser leal.

Foram poucas as vezes que tenho dito para sua avó que a amo, e que a amo com loucura.

Tantas coisas não concluídas, tantos amores não declarados, tantas oportunidades perdidas!"

Logo, com certa alegria em seu rosto, continuou: - "Sabes o que tenho descoberto nestes dias?

Sabes qual é o pecado mais grave na vida de um homem?"

A pergunta me surpreendeu e só atinei em dizer, com certa insegurança:

- "Não tenho pensado nisso ainda, mas suponho que seja matar a outros seres humanos, odiar ao próximo e desejar-lhe mal...".

Me olhou com afeto e me disse:

- "Penso que o pecado mais grave na vida do ser humano é o pecado da omissão.

E o mais doloroso é descobrir as coisas perdidas sem ter tempo de encontrá-las e recuperá-las."

No dia seguinte voltei cedo para casa, depois do enterro do meu avô para fazer com calma o meu próprio "inventário" das coisas perdidas, das coisas não ditas, do afeto não manifestado.

autor desconhecido.