sábado, 23 de julho de 2016

NUNCA SOUBEMOS DANÇAR, MAS JÁ DANÇAMOS DE TUDO!



NUNCA SOUBEMOS DANÇAR, MAS JÁ DANÇAMOS DE TUDO!
E o tempo vai arredondando os anos, acrescentando outros, incluindo novos capítulos ao livro da vida, desbotando as velhas lembranças, nos presenteia com novos amores e nos rouba outros de nossas vidas.
Escrevemos a nossa história um tanto mais devagar, agora.
O ritmo frenético do rock in rol, passou pelo romantismo de “detalhes” de Roberto Carlos, bailou algumas vezes em ritmo de bolero e samba que se fingia dançar, apenas pelo prazer de se tocar. E chega aqui, ao som variado dos grandes sucessos de outrora.
Ainda construímos alguns capítulos novos, mas a maioria é um reviver de lembranças.
Comparados os temores, buscamos os temores da juventude e não encontramos, eram moinhos de vento, tais quais os de Dom Quixote, e, no entanto, nos pareciam feras famintas!
Hoje reconhecemos que se resumiam apenas às novidades comuns do dia a dia, apenas nos eram desconhecidas.
O maior medo? Perdermos um do outro.
Ah! Mas esse continua!
Tenho medo de perdê-lo para a vida, para o tempo!
E lá se foram 40 anos de casamento.
E lá se foram 45 anos de convivência amorosa.
Não vou dizer que é quase meio século, pois me sentirei velha para continuar com minhas palavras de amor.
Não me sinto velha!
Quem me faz velha é o espelho.
E eu ainda não li nenhum estudo, para entender como descobriram a sua fidelidade de imagem.
E nem quero. Resta-me o benefício da dúvida.
Eu me faço jovem e velha, no meu dia.
Se tiver você comigo, reescrevendo memórias, ou novos capítulos, se rimos juntos de bobagens lembradas, nos emocionamos às lágrimas por outras lembranças de histórias que escrevemos, ou tantas batalhas vencidas, me mantenho jovem, pois você é minha força.
Seria velha, se não pudesse reconstruir com você novos capítulos.
É sua alegria que faz a minha. O seu sorriso que reflete outro em mim.
Aprendi nesses anos tantos, que dia a dia, fomos nos fundindo...
E lá atrás, naqueles abraços apaixonados, pensávamos que nos fundíamos um no outro. Doce ilusão dos apaixonados.
Fundimo-nos um no outro, dia a dia, nesses 40 anos de convivência diária, nos conhecendo, trilhando uma estrada que nos leva a objetivos comuns. A felicidade um do outro.
Fundimo-nos um, no outro, quando percebemos que realmente, somos um. E que, de verdade, não posso feri-lo, sem ferir a mim mesma, e é uma ferida que leva tempo a cicatrizar, e nesse tempo não há leveza, não há risos soltos, não há alegria, apenas pesares.
Fundimo-nos no dia a dia, quando o toque já não é ditado pela paixão. Os arrepios não acontecem na pele, mas todos os momentos, em qualquer toque de mão, e até no olhar, e vibra no pensamento, no valor reconhecido, e se aninha no coração agradecido.
Fundimo-nos, dia a dia, ano a ano, e aqui estamos...
Com mais rugas, olhando o espelho só de relance, sem arriscar, nunca, de perfil, mas, olhando, francamente, frente a frente, sem temores, os espelhos dos nossos olhos.
Esse é o espelho da verdade!
Conta mais sobre mim e ti, que o espelho de cristal.
Faz-me mais bela ou mais feia, verdadeiramente.
Houve muitos erros, sim, houve muitos...
Meus e seus...
Muitos aprendizados...
Olho para traz e tenho saudade de nós...
Mesmo dos tempos difíceis, não digo das horas difíceis, dos erros.
Pudesse os apagaria.
Mas dos tempos difíceis, pois me traz lembranças dos dribles que demos na vida.
De alguns sorrisos vitoriosos, que pudemos ostentar.
Somos vitoriosos da vida.
Cinco heróis que de batalha em batalha vencemos guerras.
Somos nós.
E estamos, ainda, aqui.
Outras lutas, talvez guerras, possam vir.
Talvez mudemos nossas armas, por não conseguirmos mais usarmos as mesmas armaduras e elmos de outrora, mas continuamos na luta.
Mas com certeza, e disso tenho certeza...
Conseguiremos, ainda, pelos dias que nos rentam, movidos pela alegria de estarmos juntos, aqui, ainda, e vencedores...
Dançar um rock in rol, talvez não tão natural, mas dançaremos!
E, abraçados, fingiremos dançar um bom samba, ou um bolero, como sempre fizemos, alegrando nossa vida, sem nos importarmos se alguém percebia o descompasso de nossos pés.
E daí?
Nossa alegria estava ritmada com o toque dos nossos corações que cantavam outra canção...
Uma canção de amor, como ainda canta agora.
Nunca soubemos dançar, mas ensaiamos e dançamos os compassos e ritmos que a vida sonorizou para nós.
E lá atrás, tínhamos medo do desconhecido!!!!
Talvez agora, a vida nos dê a oportunidade de dançar de rostinho colado, comemorando essa nossa “BODA DE ESMERALDA”, num compasso mais lento, um pra lá e um pra cá, pois a cada dia mais, precisamos apoiar-nos um ao outro.
Vem dançar comigo?
Meus pés já não tem a mesma destreza, mas meu coração rodopia dançando com você.
E se você sorrir para mim...
Pouco importa se errar mil vezes o compasso...
Amo-te, te amo!
Quarenta anos depois, eu digo: te amo, com a mesma facilidade, com que você sorri, quando digo.

Irani Martins
24/07/2016


segunda-feira, 30 de maio de 2016

DENISE, FUXIQUEI SEU CASAMENTO





DENISE,

FUXIQUEI SEU CASAMENTO...


O que é verdadeiramente “UM PRESENTE”?
Para mim. É estar “pré” vivendo, idealizando, ou “pré” preparando, pensando, organizando uma ideia, um momento, um gesto, um carinho.
E assim é, e assim foi...
Fuxicando, cozi e coloquei em cada flor, pensamentos e sentimentos para você.
Criando, atando cores, fazendo nós, harmonizando cores, idealizando alegrias, e na arte de cozer, fui amarrando as minhas bênçãos de mãe.
E foi assim, fuxicando, que enredei orações por sua felicidade...
Um presente singelo, puro amor construído, ponto a ponto!
Compor as partes de cada flor foi criar uma trova “orada por minhas mãos”, para que permanecessem costuradas à sua vida, a minha fé, de que Deus estará contigo na sua caminhada.
Não houve lágrimas, pois consegui antever o resultado de um cozimento de amor, transformado em um jardim de alegria para você.
Em tempo de cozimento, eu me “pre” senteei, antevendo sua alegria, seu sorriso, sua satisfação.
Ao concluir, continuei a me “pré” sentear, coração ansioso, à espera do brilho dos seus olhos.
E consegui a graça de ver o retorno, na sua alegria.
Não há “presente” que fique sem retorno, quando é um “PRÉ” SENTIDO, “PRÉ” AMADO.
Minha filha querida,
Espero que se sinta tão feliz e abraçada quanto eu.
Na simplicidade de tudo, a melhor festa aconteceu no colorido, na alegria e no presente verdadeiro, o abraço coletivo, um pedacinho de cada um, um Pré... sente construído por uma família que te ama.
Sinta-se verdadeiramente amada!
Foram dias, foram horas, foram meses, foram presenças, foram abraços, foram palavras, foram tantos os carinhos e de tão variadas formas, que não havia como não ser um verdadeiro cozimento de amor e aconchego.
O terreno foi preparado, e feito fértil de amor.
Enredamos-te, e abraçamos como você merece.
Sejam muito felizes!
E que os fuxicos, atados, flor a flor, cor a cor, por minhas orações maternas, permaneçam colorindo todos os dias de vossas vidas.
Amo-te!
Mamãe.
28/05/2016





segunda-feira, 16 de maio de 2016

O FRÁGIL PODE SER MAIS FORTE?


O FRÁGIL PODE SER MAIS FORTE?

Você sai de casa confiante, se sentindo a mesma de todos os dias.
Ou melhor, sentindo-se a mesma de tantos e tantos anos atrás.
Mas, a figura que você faz de si mesma, nem sempre corresponde ao que reflete para outras pessoas.
E hoje eu saí de casa me sentindo inteira, e retornei uma senhora idosa, frágil, desencantada, e com certeza, não é assim que normalmente me vejo.
Tentei entender, busquei respostas, mas o dia chegou ao fim, o sol adentrou o horizonte e a noite traz um pouco mais de escuridão às minhas interrogativas.
O que justifica um ser humano atacar, gratuitamente, a outro, com palavras grosseiras, quando aparentemente, não há um que nem por quê?
Saí em busca de ajuda e respostas para um problema e voltei com o mesmo problema e uma enorme angústia por não entender nada da agressão verbal sofrida.  Fiquei o dia todo tentando entender se a maior infelicidade era a minha ou dela.
A minha infelicidade, se dá, aos pensamentos que me entristecem, pois trazem a mim a certeza de que envelheci, e a minha imagem reflete muito pouco respeito, como sabemos é tão comum na nossa sociedade, não respeitar as pessoas mais velhas.
É real, envelheci!
Noutros tempos, talvez, discutisse, gastaria uma energia enorme tentando fazer valer minha justiça.  Até tentei argumentar, mas o absurdo me deixou estática e arrasada.
Outra prova de minha fragilidade foi que minha única reação foi parar na calçada e chorar, sem me importar com quem visse.
Não tinha raiva. Tinha tristeza, como tenho até então.
Passei um dia rememorando, tentando ver onde eu poderia ter errado e não encontro o ponto onde coloquei fogo no pavio e provoquei toda aquela explosão gratuita.
Concluo que, envelhecer é algo que precisamos aprender, não só aceitar.
Aprender que o que sentimos e vivemos dentro do nosso corpo nunca corresponde com o nosso exterior, e a leitura que as pessoas fazem de nós são diversas. 
São leituras feitas de acordo com a forma como nos olham, essa é a primeira leitura, a mais importante, a que pode nos levar ao paraíso ou ao inferno, dependendo do sentimento que colocam nesse olhar. Mas há a leitura corporal que podem nos colocar em posição de respeito ou em posição de possível vítima.
Deixei-me ser tratada assim? Não creio que tenha permitido.
Talvez os meus anos de vida, tenham me levado tão longe de fatos assim, que me estarreci, mas não enraiveci, não veio ao meu coração o instinto natural de caça e caçador, que pudesse me levar a uma defesa agressiva à altura. Umas lágrimas foram suficientes para lavar minha alma ferida. Ficou essa certeza incômoda de haver refletido meus anos de idade e a certeza da minha fragilidade haver fortalecido a violência natural de outrem.
No final do meu dia, um pensamento veio em meu socorro, e me trouxe paz.
“Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor”... Magoar alguém é terrível!

Irani Martins

16/05/2016

quinta-feira, 28 de abril de 2016

HOJE É MEU ANIVERSÁRIO!

O ANIVERSÁRIO
O dia do nosso aniversário tem um significado e sentido diferente a cada um de nós.
E essas diferenças se dão, pelos acontecimentos que permeiam os últimos momentos ou dias, se felizes ou tristes, pelas lembranças, que teimam em nos visitar nesse dia, porque são esses fatores que fazem a “cara” do nosso dia. Ou dão personalidade ao nosso aniversário.
Um dia esperado e por vezes estranho.
Muitas vezes criamos para ele, expectativas que não acontecem, e ficamos obcecados pelo fato não acontecido, deixando que tome conta dos nossos pensamentos e dirijam o nosso dia.
Enfim, refletindo sobre esse dia, entendo que para mim, esse dia já foi também dias assim, e hoje, se tornou um dia para reflexões.
Aprendi, que dentre as reflexões que venho fazendo nos meus últimos aniversários, tenho colhido muito mais parabéns, que dantes.
E parto agora para a minha reflexão de hoje.
HOJE É MEU ANIVERSÁRIO!
Nem uma flor, concreta, me aguardava no meu amanhecer.
Não havia sol, a temperatura está muito fria por aqui.
Coisas da natureza, neste nosso recanto tão quente!
Gosto de olhar pela janela de manhã, e o fiz, para ver se havia uma mensagem Divina na minha paisagem para o MEU DIA.
Havia pássaros cantando, várias paineiras floridas, de perder o fôlego, mas eu queria mais sentido ao meu dia.
Aí começam a chover mensagens, e algumas me fizeram sorrir.
Outras me emocionaram.
Mas quando em uma delas li “OBRIGADA POR TUDO”, comecei a minha reflexão verdadeira, o sentido que precisava para o MEU ANIVERSÁRIO.
“OBRIGADA POR TUDO”
Por tudo o que?
Quando, se bem me lembro, “TUDO” foram apenas algumas palavras em certo momento carente.
Ou talvez, um sorriso, que adoçou meu olhar, e presenteei com a mensagem muda de “CONTE COMIGO”!
Não sei exatamente como foi, mas na minha reflexão, eu colhi os meus parabéns e recebi o meu presente.
Muitas vezes pensamos que não temos nada a oferecer, ou que na nossa “pequenice” nada podemos fazer pelo outro e nos afastamos das pessoas que compõem a nossa vida. Ou então, olhamos de longe, apenas vibrando em pensamento por aquela pessoa, temendo uma aproximação sofrida.
E eu que nada fiz, recebi um “MUITO OBRIGADA POR TUDO!”.
Então, não sou assim tão pequena!  Posso “TUDO”!
Com certeza, essa frase me acompanhará por muitos outros aniversários, e será tema de muitas de minhas reflexões.
EU SOU!
Eu sou alguém que pode levar uma palavra amiga.
Eu sou alguém que pode doar um sorriso gentil.
Eu sou alguém que pode abraçar com carinho.
Eu sou alguém que pode, na distância, usar um telefone e me fazer presente.
Eu sou alguém que pode ter olhos de ver e ouvidos de ouvir.
Eu sou alguém que pode amar simplesmente, sem julgar.
EU SOU!
AÍ ESTÁ A MENSAGEM DIVINA TÃO ESPERADA NESTE DIA!
Este foi o presente que ganhei neste meu aniversário, e veio nua, desacompanhada de qualquer adorno.
Convido-te para esta minha festa!
Compartilhe comigo dessa minha grande emoção, dessa minha alegria, desse meu presente, dessa minha reflexão!

Irani Martins
28/04/2016






quinta-feira, 14 de abril de 2016

BOM DIA!

BOM DIA!!!
Que tenhamos todos nós um bom dia.
Um dia bom para ouvir.
Um dia bom para ver.
Um dia bom para falar.
Que a palavra nos chegue à boca, ditada pelo coração, mas que antes tenha sido peneirada pela nossa consciência, pois é nela que se encontra a centelha de Deus, onde a sua lei está registrada em nós. Temos a condição de saber, se o que será dito é construtivo, do bem ou não.
Que nossos olhos, vejam o essencial nas pessoas. Que as vejamos, como o espírito que é, sem o a vestimenta da carne, que nada significa. Os olhos são a janela da alma, e se minha alma é boa, posso ver meu irmão com bondade.
Que nossos ouvidos, tenham a capacidade de perceber o som mais sutil, que vibra o silêncio das almas que gritam e possamos acolher nos nossos abraços curativos todos que assim precisam.
Os outros barulhos do mundo, são ruídos que muitas vezes obstruem nossa comunicação e acesso aos sons da alegria que podem tornar melhor nossos dias, ou da dor silenciosa do nosso irmão, que aguarda uma mão estendida. E esse gesto, nos eleva e nos direciona rumo à tão sonhada alegria.
Que seu dia seja de ver, ouvir e falar.

Irani Martins


14/04/2016

sábado, 9 de abril de 2016

DA XUXINHA AO VESTIDO DE NOIVA.


DA XUXINHA AO VESTIDO DE NOIVA.

Agora que vai chegando o seu grande dia, me pego bastante pensativa e emotiva.
E faço retrospectos ao longo do dia.
Quanta vivência nesses seus anos de vida!
Quantas lutas, mas também, quantas superações, conquistas e vitórias!
A Denisinha, pequenina, de xuxinha no cabelo, nos surpreendeu, pois de pequena, só o tamanho mesmo!
E era mesmo tão pequenina! E tão quieta!
E fui recordando...
Lembrei-me de quando vi a primeira vez um sorriso aberto e solto no seu rosto.
Era raro!
Hoje ostentas esse seu lindo sorriso!
Depois me lembrei do quanto era querida pelos seus amigos na faculdade, seus amigos de Palestina, e como ficava feliz quando estava com eles.
Aí me Lembrei de muitos momentos difíceis pra valer, filha.
Não foram poucos, então tive muitos momentos passeando na minha tela mental.
Mas, em todos eles, eu estive presente, se não de corpo, estive de alma. Tão presente, que nem era eu a viver.  Vivi todos contigo.
Choramos juntas muitas vezes.
Já dormimos de mãos dadas e não me esqueço disso!
Noites de insônias criativas, que traziam amanheceres renovados, cheios de novas perspectivas. Tem alguém mais experiente que nós duas nessa área?
Soluções impensáveis em outros momentos da vida.
Construímos sonhos em bases instáveis e juntas fizemos deles realidades.
Bem dizem filha, que as dificuldades amadurecem.
Somos prova viva!
E foi tão bom colhermos juntas as suas vitórias!
Participar das suas conquistas, do seu crescimento, ter o privilégio de participar da organização do seu primeiro “cantinho”.  Saber que foi uma conquista muito importante, e poder estar lá do seu lado, naquele momento foi muito gratificante e importante para mim. Para isso movi céus e terra.
E todas essas nossas parcerias, fizeram de nós companheiras e nos trouxeram presentes uma para a outra até aqui em todas as horas.
Agora minha filha, me preparo para viver com você o momento de vesti-la de noiva.
Sei que será outro momento de muita emoção!
Botão a botão, estarei encerrando um ciclo de você comigo e te entregando a um novo caminhar com seu companheiro escolhido.
Desculpe-me, caso alguma gota cristalina venha a cair em meio às pedras do seu vestido e não combinar com o bordado, mas posso não conseguir segurar uma chuva de cristais líquidos querendo enfeitar seu vestido.
Sei que vai estar linda! E vou ficar feliz por você e com você mais uma vez!
Estaremos novamente comemorando um momento importante da sua vida, festejando a sua vida, sorrindo com você.
E no final...
Retomaremos estradas diferentes dessa vez, embora a minha missão continue.
A de orar por você todos os dias!
Amo-te!

Mamãe.

08/04/2016

sexta-feira, 8 de abril de 2016

SER MÃE É EXERCITAR DESAPEGO.



SER MÃE É EXERCITAR DESAPEGO.


Se perguntar a uma mãe como fazer para se desapegar de um amor, ela, com certeza não saberá responder de pronto.

Mas ser mãe é exercitar o desapego ao longo da sua vida, e para todo o sempre!

Ainda no ventre, ela acalenta a cria, e a considera sua, sonha, idealiza, e constrói uma vida, a sua vida em torno daquele ser que chega para completar seus motivos, suas razões, seus estímulos de viver.

E quando nasce, a mãe tem a alegria de tocar, de pegar no colo sua cria, e concomitante convive com uma ausência em seu âmago, um vazio nas suas entranhas, e todo o movimento da vida gira em torno da nova vida chegada, saída de si, mas não mais só sua.

E a partir daí, a cria, que foi sua, passa a ser do mundo.

Tem vida independente da sua.

Poderá acompanhar, ajudar, cuidar, proteger, amar, mas não mais será sua.

Terá a criatura em seus braços, por momentos, mas nunca mais agasalhada em seu interior.

E começa a vê-la soltar-se...

Até que um dia, para um ou para outra, entrega totalmente o pedaço das suas entranhas, mesmo sem a certeza de que terão por ela o mesmo cuidado que tinhas.

E vês o laço se soltar, de novo, se sentindo ficar, meio perdida, meio insegura, sabendo que a história se repetirá, pois dessa vez quem vai é sua alma semelhante, sua filha, para viver a mesma história.

Já começa a se doer por todos os seus desapegos, como se fossem seus.

Mas a vida não é sua, assim como não tivestes para si suas outras crias.

Seguiram o curso natural da vida.

Agora, ao acolher em meus braços, a minha filha, pra o abraço de mãe em seu momento de desapego, já que ainda este mês se casará, farei um esforço enorme para não jorrar por fora a chuva que molha por dentro o meu coração.

É um ato heroico de ficar feliz, por ela, sem que consiga ser por mim.

Sim, é uma contradição enorme!

Feliz por ela, e triste por saber, não mais poder adentrar a sua vida com a mesma naturalidade de agora.

Outro desapego de mãe.

Os filhos não só se vão, cumprindo o curso da vida, mas vão, formando outros ninhos, com outros companheiros.

E em seus ninhos, olharemos de fora, como expectadores, adentraremos se necessário, quando solicitados.
E assim é necessário, para que o equilíbrio exista.

Penso em todas as vezes que quis poupá-la, carregá-la no colo, para que não sentisse a aridez do solo da vida.
Em tantas outras que pintava com ela o quadro da vida, e sutilmente ia matizando os tons tornando-os mais alegres, transformando alguns pingos em florezinhas, para que a paisagem se amenizasse, e pudesse ver um sorriso em seu rosto. Nas vezes em que noites mal dormidas me levaram até ela em pensamento, e velei seu sono, orando para que o novo dia fosse mais claro e que as nuvens houvessem se dissipado com a chegada do sol. Nas ligações em que sondava o tom da sua voz, tentando identificar seus temores, suas dores, o que lhe ia à alma, com o coração saltando à boca, e mesmo sem saber como, me transformava em palavras, quando na verdade queria me tele transportar.

Amor de mãe!

Feliz de saber que terá com quem dividir, não mais precisará de fios telefônicos ou via satélite para alcançar meu socorro.

E a mãe se desapega novamente, pois sentirá falta de carregar no colo nas horas difíceis.

Mãe sente falta de se doer com o filho!

Há tantas formas de amor!

O amor tem formas estranhas, também, de se manifestar, podem acreditar!

Uma delas é o silêncio!

Outra é falar com os olhos e sorrir com eles.

E ainda mais...

Mãe, é o próprio exercício de desapego encarnado.

E MÃE, não se desapega mais, porque Deus nos deu o dom, de amar à distância, de nos aproximar por pensamento e energia vibratória.
E aprendemos a tocar e abraçar com o coração!


Irani Martins

08/04/2016