sábado, 17 de outubro de 2015

A SOLIDÃO FINAL.



A solidão final


Quisera nunca saber o que é a solidão,

Quisera nunca sentir,

 o som desse silêncio atroz,

Quisera nunca encontrar vazio,

O espaço que me preenche de ti.

Mas não é de querer,  que é feita a vida,

Não é de sonhar que se constrói a jornada,

Não é chorando que vou regar minhas plantas,

Que semeei...

sorrindo contigo,



A dor é grande, nesse vazio que fica,

O silêncio favorece o eco,

E a dor encontra sua voz que fala através do nada.

Quisera nunca Ter me encontrado com ela!

Solidão de ti,


Dor do vazio, sem você...

Já não vou mais chorar,

Água salgada,

 não alimenta as flores do meu jardim...

Os dias vão ficando curtos...

E o tempo escasso...

PRECISO CUIDAR DE MIM!!!!



Há ainda, uma solidão que virá,

causando uma dor diferente,

E será a maior de todas elas,

E dessa vez nem poemas, nem canções,

Retratarão o vazio dessa solidão.

Nada estará ao nosso lado...

O silêncio perdurará...



De dentro...

o medo se pronuncia silencioso,

De fora...
A covardia dos sem palavras,

produzirá um silêncio maior,

E por companhia...

Um coração que bate no ritmo do medo,

E estarei só...

Para receber a morte que chega,

Implacável!



Irani Martins





quarta-feira, 14 de outubro de 2015

E A SAUDADE DELE TÁ DOENDO EM MIM!!!!!

MEU PAI ANISIO,
Se estivesse aqui...
Hoje seria aquele dia, não mais especial que tantos vividos com você, mas especial, pelo seu jeito de fazer as coisas no SEU DIA.
Tomava seu café da manhã vestido com seu roupão, após seu banho costumeiro, e nós, ansiosos, aguardávamos para te presentear.
Então, você se virava na cadeira e dizia:
Pronto, podem fazer a fila.
Era uma fileira de filhos, com alguma coisinha na mão.
O valor estava no ato de ali estarmos, de homenagearmos sua importância nas nossas vidas, pois o conteúdo nas mãos não tinha muito valor.
Mas o seu sorriso!!!! A sua alegria, o seu jeito de gostar daquilo, era tão especial, que até hoje, sou eu quem recebo o presente, relembrando você.
Detalhes tão pequenos de nós dois, são coisas muito grandes prá esquecer...
Te amo, te amarei para sempre!!!!!
E A SAUDADE DELE TÁ DOENDO EM MIM!!!!!
Irani Martins

domingo, 4 de outubro de 2015

RETORNANDO À MINHA CAÇA AOS TESOUROS... ENCONTREI UMA PÉROLA!


   PATOLOGIAS DA FÉ ...!


                            José Mauro de Toledo



    " Deus come escondido...
      E o diabo sai por ai,
      Lambendo os pratos ! " Guimarães Rosa.

                             *

   Valha mais
   Um graças a Deus...

   Do que um simples Amém !

   Pois estabelece movimentos
   Circunstâncias
   Valores...
   Acima do que se possa
   Compreender !

   Um Amém...

   Pode determinar mera
   Submissão
   Ou desconhecimento...

   É como fé acomodada
   Nas palavras...
   Sem que se arregacem 
   Mangas...
   Se caminhe... Avance

   Abram-se sulcos
   À dificuldade !

   Render graças...

   É exaltar o próprio suor
   Convencer-se
   Da justa batalha...
   Dispendida...

   À vigília do Criador !

   Ou de hostes supremas
   Que nos inspiram
   Estimulam...

   O nobre da luta !

   
   Não que se queira imputar
   Dúvidas a esse Amém...

   Mas... Às intenções mecânicas
   Que o expressam !

    A vontade Divina se fez...
    Ao nos disponibilizar 
    A vida !

    Mas sem estabelecer facilidades !

    Existir...
    É ação trabalhosa
    Que deve enriquecer a alma !

    Uma prestação de contas
    Que não cobrará
    Juros abusivos
    Ou eventuais devoluções...

     Mas dividendos de Sabedoria !

     E... Graças a Deus...

     Que a vida seja assim !
    

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A TREVA E A LUZ!

A TREVA E A LUZ

Negra é a treva,


Mas, muito mais escura é a treva do coração.
A bruma negra que absorve,
Qualquer luz que se atreva.

Negra é a visão, destituída da luz,
Que vê o que não quer,
E tem como certa a mentira,
Disfarçada de verdade.

Negros sãos os pensamentos,
De quem não vê sua luz,
Tão escondida se encontra dentro da sua amargura.

Mas existe uma luz, única que tudo muda.
Luz radiante, que dissipa trevas,
E ofusca a tristeza...de se sentir só.
È a luz dos teus olhos, quando brilha para mim.

Olhos que brilham concomitante o sorriso,
Que diz, sem palavras, sem gestos, e me toca,
Faz sentir-me amada, querida, apesar de mim.

E dentro da minha tristeza,
Um raio de luz se projeta... tímido,
E ganha força, conforme te olha nos olhos,
Reconhecendo os sinais...
Do amor que vens a me dar,

Quanto esperei por ti...
Sorrindo assim para mim...
Que mesmo sem me tocar...
Traz-me abraçada assim,

Te aproximes amigo querido,
Tua presença muito fez falta,
Tua luz que ilumina as minhas trevas,
Esteve por demais ausente;

Pudesse eu te prender,
Com meus braços... assim feito laços,
Não deixaria que fosses,

Tenho te procurado,
E pouco tenho te achado,
Descubro naqueles que encontro,
Luz débil, de pouco afeto.

Amigo, é mais do que tenho,
Amigo é para essas horas...
Que o que sou... é peso, é cansaço,
E o que não sou... é tão difícil de ser!

Amigo é o que me aceita,
Com todos os meus defeitos,
Que chega com sua luz,
Ilumina o meu caminho,
Dissipa as minhas trevas
E traz consigo carinho.

Amigo é este que toca com o coração,
Abraça com emoção,
Dá colo sem tocar a mão.
Chega, fica, ouve, aconselha,
Mas acima de tudo...
Entende minha treva,
Seu sorriso é fio de luz,
E aceita minha imperfeição.

Amigo...
Quanta falta fazes aqui.


Irani Martins
02/004/2010


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A DOR ... QUE DÓI !















A DOR... QUE DÓI.
E tem aqueles dias que temos que ser de ferro.
E como ser ferro, quando somos apenas um amontoado de emoções, abraçadas por esse corpo frágil que tudo absorve?
E os doentes do físico e da alma que nos rodeiam, esperam que sejamos seu esteio.
E. vamos sendo, assim, um remendo de força....
Cabeça erguida, coluna ereta, vamos tentando ser!
Apoiamos-nos em muletas que criamos para nos ajudar nessas empreitadas da vida.
Mas, contudo, seguimos em frente.
Vezes há que conseguimos ter palavras no momento preciso, ações nas horas mais difíceis, mas há também os dias, as horas e tantas vezes que a covardia nos acorrenta, nos imobiliza.
Parece que se esgota em nós a fonte de palavras consoladoras.
Não é um cansaço, mas “um que” de não conseguir olhar nos olhos que sofrem, por não alcançar a profundidade da dor, e não saber mais os recursos verbais que amenizam.
Os olhos buscam esperança, não mais apenas palavras!
E a covardia que se apossa de nós, nos pede para sair de cena, mas uma covardia maior ainda, aquela que nos coloca a mercê dos julgamentos sobre nossas ações, nos segura mais um tempo.
É um doer doído!
Dói ver e não agir. Dói olhar os olhos que gritam em silêncio e não saber mais o que dizer,
Dói... dói...Dói não saber plantar novas esperanças...
Não saber curar com as mãos, não ter o remédio para essa dor, que passa a doer aqui também!
Só resta então... um último recurso, orarmos juntos, mesmo em silêncio, pois até o convite é  mudo.

Irani Martins
21/09/2015

MEU PÉ DE MANGA ROSA


MEU PÉ DE MANGA ROSA
Lá está ele,
No mesmo lugar onde foi plantado.
No pé da rampa que desce ao quintal.
Quando passo pela varanda há entre nós um diálogo silencioso...
Eu lhe falo das minhas lembranças, conto da minha saudade;
Dos dias idos, em que tu colhias, ao amanhecer, as mangas caídas ao chão;
De como gostavas de chupá-las, sugando pelo biquinho;
De como o considerava -“O PÉ DE MANGA ROSA” - um manancial de gostosura;
Contei que fazias montinhos de mangas e voltava recolhendo em uma cesta;
E quando se ia, levava consigo seu tesouro infinito de sabores.
E em nosso diálogo silencioso, ouvi o meu pé de manga rosa;
Ele me disse coisas, que vão além das minhas lembranças...
Além da minha saudade...
Falou-me sobre olvidar o tempo;
Sobre a colheita que não fiz;
Disse-me que colhi lembranças...
De falar dos vários tons das suas cores;
Das cenas que guardei e estou a lembrar;
E, contudo, não colhi o sabor de experimentar “juntinho” o sabor da manga rosa no biquinho;
De juntas fazermos a colheita de suas mangas;
Olvidei o tempo, achando que faria dele lembranças também.
Mas o tempo não para. Ele não esperou por mim e passou!
E com ele, passou o momento da verdadeira colheita...
Quatro anos depois...
O pé de manga rosa volta a florir;
E está carregado de mangas, prometendo uma safra longa de doce sabor;
E você não as colherá...
E eu, só tenho as lembranças colhidas,
E colho agora, a eterna saudade de você.
Te amo, mãe querida,  para todo o sempre!

Irani Martins

21/09/2015