segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

E FOI ASSIM QUE MEU PAI NOS APRESENTOU O MACHO MEN


 E FOI ASSIM QUE MEU PAI NOS APRESENTOU O MACHO MEN




Era festa...



Sempre era.



E nos deliciávamos com a novidade da hora,



“A PISCINA”



E daí, se os olhares de fora, viam apenas um tanque que servira para mover um motor que gerava energia, noutros tempos.



Aos nossos olhos crianças, era “A PISCINA”.



Desterrar o tanque, e provê-lo de água foi uma das maravilhas que vivemos, naqueles tempos onde o quintal era um laboratório de criatividades e magias.



Providenciamos alguma roupa de banho, todos queriam mostrar alguma habilidade aquática.



Dentro da “piscina” nos tornamos exímios nadadores e mergulhadores.



A “piscina, foi uma das idealizações do nosso pai, já que sua maneira de nos trazer conforto e alegria sempre tinha uma característica muito sua e era algo inusitado. E foi um sucesso!



Ainda um dia desses, alguém me disse, sempre se lembrar da piscina da nossa casa, que gostava de ir lá brincar conosco.



Vê, que o tanque foi piscina” para outro alguém, que comungava conosco o mesmo olhar sobre aquele presente.



Meu pai sabia fazer milagres!



E sabia dividir e multiplicar os pães, por isso quando chega o Natal, sempre tem algo nos abrindo o baú de memórias...



E foi assim que me lembrando da nossa “piscina”, me lembrei do MACHO MEN.



Quem viveu se lembra daquele menino, molambo, que não andava, mas sim, se arrastava no chão, sempre de roupa rasgada, nas calçadas, vivendo da misericórdia de um e outro.



Macho men...não sei o porquê do nome.



Talvez, porque, para sobreviver, fosse preciso ser um “macho men”.



E nesse dia....



A festa acontecia, já que bem ou mal, viver com meu pai, era uma festa, havia por ali várias pessoas e já adentrava a noite.



De repente, chega meu pai, com sua outra surpresa, deixando muitos estarrecidos, e por nós compreendido. Essa era sua maior habilidade. Surpreender!



Chega meu pai, trazendo o “MACHO MEN” para participar da alegria do momento, conhecer a “PISCINA”



Alguém aqui, vai colocar em questão que o tal tanque tinha o destino certo de gerar a luz? Assim, não podia ser soterrado.



A missão do tanque era ser “A PISCINA” que molhando corpos, gerando ondas, provocando risos, gerou luz em nossos olhos e brilho no sorriso do fazedor de sonhos que transformava a vida em magia pura.



Nesse dia, era um dia de festa...



Não me lembro se era natal, mas nessa festa, ganhamos “ A PISCINA” de presente e compartilhamos com o macho men.



Nosso pai, nem era PAPAI NOEL, havia muita realidade para transformar em magia, mas acredito que ele entendeu aquela criança, porque vivia a vida sendo, também, um “MACHO MEN”



Irani Martins



17/12/2018





#ReflexôesIraniMartins

domingo, 5 de agosto de 2018

AS MUITAS MULHERES QUE ME HABITAM




AS MUITAS MULHERES QUE ME HABITAM

Meu corpo
 Tem sido abrigo a muitas mulheres,
Nem sempre semelhantes,
Muitas vezes discordantes,
Contraditórias...
Tantas mulheres 
 Habitam minha simples alma.

A mulher menina,
Que num piscar de olhos,
Viu-se mãe,
A mãe
 "de primeira viagem",
Acordou numa manhã,
E já era mulher adulta,
Mulher resolvida,
Driblando a vida,
E a arte de ser mãe.
Duas mulheres em uma.

E não termina aí,
A saga da minha alma.

O espelho, certo dia,
Mostra-me uma nova face,
Mulher "de vez”,
É a mulher que habita, agora,
Minha alma inovadora.

Igual fruta beirando cor de outono,
Querendo amadurecer,
Nem verde,
Esse tempo já se foi,
Nem madura... Ainda,
“DE VEZ"...

Andando pelo Outono da vida,
Folheando as páginas,
Amareladas da vida,
Relendo os fatos vividos,
É essa a nova mulher, 
Ainda, amadurando...
A mulher que me habita hoje!

Quantas, ainda,
Habitarão minha alma?
Quantas?

Antes da mulher fatal,
Que sairá de cena,
 No ato final Do teatro da vida,
Levando, em fim,
Minha alma consigo?


Irani Martins
05/08/2018


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

PASSOS NA AREIA


                                       
                                            PASSOS NA AREIA

Deixo passos na areia,
Marcas dos caminhos por onde andei,
Profundas,
Quando as passadas foram lentas,
Escrevendo os dias cansados,
Na dormência do andar.

Superficiais,
Nos dias de pressa,
Quando a ânsia de viver,
Disputava espaço com o tempo,

Houve corridas a passos largos,
Onde a alegria apressava a vida,
Correndo,
Em busca da felicidade almejada,
Mas, também,
Paradas obrigatórias,
Buscando profundamente o ar,
Querendo inalar a vida,
E renovar o meu ser,
Que pedia tempos de paz,
Deixei muitas marcas,
Por onde andei,
Pedaços de mim,
Por onde passei,

Atrás ficaram alguns afetos,
Trago comigo bagagem de amor,
E junto um tanto de dor,
No coração, esperança.

Os passos seguem,
O destino incerto,
Deixando na estrada minhas marcas da vida,
E em minha face,
A cada passo, um novo sulco,
Marcando o tempo da vida em mim.

Irani Martins
03/08/2018



CORPO E ALMA




CORPO E ALMA

Nasci,
Corpo e espírito,
Vivendo a vida,

No entanto...
Morro,
Lentamente,
Desencontrada que estou,
Corpo e alma...

Vivemos,
Morremos,
Renascemos...

Um dia atrás do outro,
Vamos nos buscando,
Retornando à jornada,

Há dias de encontro,
Há noites de desencontros,
Luz e treva em luta incessante...
Vontade e desinteresse...
Lutam entre si...

Há urgência !
Corpo e alma vivem irmanadas!

Minha alma me pega pela mão,
Anima meu corpo inerte,
Querendo que eu sopre o rescaldo do seu coração,
Reacendendo sua chama,
Que por um fio se apagará,
E então...
Para nós,
Será eterna a noite!

Irani Martins
29/07/2018

sexta-feira, 20 de julho de 2018

A MORTE E A VIDA




A MORTE E A VIDA.
A vida abriga todas as mortes,
E, por ela, finalmente, é vencida.

Na vida morremos todos os dias.
E nem sempre,
A morte é destino certo ao nosso lado sombrio,
Que renascerá em em Luz.

Morremos todos os dias...
A morte se apresenta dia a dia,
Nas decepções sofridas,
Nas expectativas frustradas,
Nas traições ferinas,
No sonho que não vingou, morreu no ninho, ainda gestando.

A morte, ronda a vida...
Quando morre em nós a esperança,
Quando a tristeza faz ocupação irregular no coração,
E o sorriso exibido nos lábios,
Não condiz com os olhos mortiços do palhaço,
Que colhe riso alheio,
Mas não conhece o som da alegria,

A morte vive de mãos dadas com a vida.
Como o sorriso e o choro,
Que Irmanam-se passo a passo na caminhada,
Intercalando emoções,
Dando rosto às intempéries,
Finalizando o resultado.

Morte e vida andam juntas,
Braço dados,
Na mesma aventura,
Tecendo suas teias,
Em vida, existem muitas mortes.
Precisamos vive-las,
E também,
Morrer todas as mortes!

Irani Martins
19/07/2018

terça-feira, 17 de julho de 2018

A SAUDADE É UM VAI E VEM







A SAUDADE É UM VAI E VEM

Uma palavra,
Uma cena,
Uma lembrança,
Abre um arquivo de memória,
E de lá, sai a saudade...
E com ela...
Um novelo, que vai desenrolando saudades,
Tecendo a mesma história vivida.
Com diferenças, antes, não percebidas.

A saudade muda o nosso olhar sobre a vida,
Adoça nossas lembranças,
E a dor de uma ausência,
Amadurece o perdão,
E nem mais importa saber,
Se merecido ou não.

Nossos olhos fazem releitura mais bondosa,
Da mesma história vivida.
A saudade vai,
E volta renovada,
Cheia da gratidão, antes não sentida.

A saudade vai,
Tal qual balde vazio amarrado à caçamba,
Toca o fundo do poço.
E sobe,
Trazido pela força, do sarilho coração,

Chega transbordante de lembranças e emoções,
Travestidas de água fresca e cristalina,
Cura o deserto da alma,
A aridez da ausência,
A sede, de amor, de carinho,
De quem foi,
E não volta mais!

A saudade é um vai e vem.

Irani Martins 
17/07/2018











sábado, 14 de julho de 2018



BALANÇA DA VIDA

Na balança da vida,
Eu peso a vida e a morte,
E contrabalanço os dois pesos,
Como as ondas do mar,
Ora altas,
Onde sou pura adrenalina,
Ora baixa,
Onde sou repouso e mansidão,
E apenas a areia com seu atrito,
Traz a vida a tocar meu corpo.

Na balança da vida,
Morte e vida,
Andam juntas,
Equilibrando pesos,

Sou vida,
E sou a morte,
Sou o escuro da noite,
E o sol da manhã,
Sou o sorriso,
E o pranto,

Sempre eu,
E minha sombra...
Caminhando juntas,
Rumo ao destino comum,
Quando vida,
E quando morte,
Equilibrando os pratos,
Da velha balança da vida!

Irani Martins
14/07/2018