sábado, 9 de janeiro de 2016

O QUE SERIA DE MIM ?


O QUE SERIA DE MIM?

O que seria de mim...
Não fossem os dias loucos,
Os dias de risos soltos,
Dias que não tem porquês,
E acho dentro de mim,
A leveza que busco encontrar

O que seria de mim...
Se não houvesse meus dias assim...

O que seria de mim...
Se alguns dias não fossem assim...
Dias de sol em meio às nuvens,
Dias de insana ilusão,
Em que faço em mim mesma o reflexo,
Da vida que quero pra mim?
O que seria de mim...

O que seria de mim...
Se somados aos meus desencontros,
Não houvesse a insensatez,
Driblando a tal lucidez,
Que aprendi ser saúde mental...
O que seria de mim...

Não fosse eu, esse encontro,
Tão repleto de desencontros,
Do riso com as lágrimas soltas,
Das gargalhadas tão altas,
Com a penumbra do olhar...
Não fosse eu...

O que seria de mim...
Que entendi o poeta,
Que senti a emoção dos seus versos,
E confirmei no meu peito,
Sua mensagem tão certa,
O que seria de mim...
Se metade de mim, sou eu mesma...
E a outra metade...
Também!

Irani Martins
09/01/2016


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

É NATAL... E EU... NUA!


É NATAL...
E EU... NUA!
E o dia esperado, já é contado nos dedos...
Impacientes, pela criança que espera o Papai Noel, com seu saco de presentes, e dentro dele, "AQUELE", escolhido por ela, sussurrado a ele em segredo, à noite, em suas orações.
Ansiosos pelas mães, que anotam em seus caderninhos o cardápio do dia, as providências a serem tomadas, para que tudo esteja perfeito para a chegada dos filhos e netos, que encherão a casa de ruídos, de risos, de uma alegria, há tanto tempo ausente!
A expectativa de rever uma mesa rodeada de pessoas queridas não tem preço, só é vencida pela alegria, muito maior, de ver concretizado o sonho.
Um conversê, um alarido, que ficará ressoando por muito tempo depois, nas lembranças rememoradas, dentro da saudade, que com certeza, virá!
NATAL!
E andando na rua, já vemos tudo decorado, tornando a expectativa ainda maior, com o colorido, brilho e músicas de natal.
As vitrines nos convidam a entrar.
Um vestido novo seria bem vindo para uma linda festa!
Mas uma dúvida me bate fundo, no coração...
Não sei se preciso de algo novo para vestir, ou se preciso me desvestir?
Há um quê de acúmulo material no ar, que nos leva junto, na mesma corrente, e enchemos nossas casas de adereços, nossos corpos de adornos, e nossos filhos de mimos materiais.
E como parte dessa mesma corrente, vamos nos atrelando aos seus elos, prisioneiros do que nem precisamos, e talvez, nem mesmo queremos.
Apenas é Natal, e tudo isso é normal e faz parte.
Afinal, venho vivendo assim, há anos... anos... anos...
Mas agora, sinto que preciso me desvestir, como se meu próprio corpo fosse demais, um peso que carrego, e fui acumulando sobre ele tantos adereços para me fazer mais bela, mas na verdade, apenas o tornei mais pesado.
Decidi que não quero um novo vestido, sequer um belo adereço, também não posso me desvestir do meu corpo, mas posso me fazer mais leve.
Posso desvestir-me das vaidades que me tornaram elos da corrente que me aprisionou, das atitudes inconsequentes que me aprisionaram às inseguranças, e posso também me desvestir das presenças das pessoas que só me enxergam vestida e adornada.
HOJE COMEÇO A ME DESPIR.
Tenho agora, outros motivos para contar nos dedos, os dias que faltam para chegar o NATAL, e será, com certeza, o melhor natal da minha vida.
Estarei lá, como sempre, minha mesa estará posta, com todos os mimos, com a mesma alegria, com um amor diferente, maior ainda, e eu estarei presente vestida de mim mesma!
Vou estar muito mais atenta às conversas, vou colher e apreciar cada palavra e cada sorriso, com os olhos, de um novo coração, renascido das cinzas dos meus adornos.
Estarei mais presente do que nunca!
Nua das coisas impostas pelo mundo, carregada do que tenho de melhor para doar e para viver.
Meu adereço?  O meu sorriso!
Usá-lo-ei, como nunca!
Recuperarei  e compensarei o tempo que tantos brilhos ofuscavam minhas lágrimas!
É NATAL!
E EU NUA,
VESTIDA DE MIM! 

Irani Martins  

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

VOCÊ SABE O QUE É FELICIDADE?


VOCÊ SABE O QUE É FELICIDADE?

E tem aqueles dias...
Que acordo...
E comigo acorda, também,
A nostalgia!
Companheira nas minhas saudades.

E o alvo da minha saudade,
Faz-se tão presente!
Veio montada nas lembranças,
Enquanto olho a paisagem da janela,
E deito coalho no leite,

Penso no que pensava ela, nos idos dias,
Em que media o coalho,
Drenava o soro,
Enformava a massa,
Fazia o queijo,
Um único queijo...
Que resultava em benefício para os seus...

Vendido, retornava a casa,
Transformado no que mais precisava no momento.
Somente alguém que sonha,
E busca soluções,
No quintal do seu próprio coração,
Sabe transformar coisas...
Sabe ser poderosa...
Tendo apenas um só queijo nas mãos!

E me vem à mente outra lembrança,
Quase igual, em época diferente,
Só que dessa vez,
Era eu quem sorava o leite,
Era eu a fabricar o queijo,
Ela me observava fazendo o que  me havia ensinado.

Fiz o primeiro queijo...
Enquanto ela me olhava,
E já me preparava para fazer o segundo queijo...
Quando ela me interrompe dizendo admirada!:
- Irani, você faz dois queijos?
- Como você é sortuda!
Meu Deus, que cena emocionante!
Que lição me enviaste, através dela...
Que sutileza a sua!

Voltei no tempo,
E revi a ela  fazendo o seu queijo,
E mais que nunca, entendi o valor daquilo para ela.
E ela ali...
Olhando-me...admirada...
De toda a minha riqueza!!!!
E eu..
Conclui meu queijo, salgado...
Pelas lágrimas que não consegui segurar.

E agora,
Enformo meu queijo...
Cuido do meu tesouro...
Coração apertado pela saudade,
E relembro das suas palavras...
Não há como não me emocionar novamente!

Colho e recolho a lição...
Elas chegam nas entrelinhas da vida,
Basta fazer a leitura,
Felicidade...
Para ela era um queijo,
E eu com dois, sei o que é?

Irani Martins
23/11/2015




segunda-feira, 2 de novembro de 2015

CASA ARRUMADA

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.
Texto de Lena Gino