sexta-feira, 29 de maio de 2015

A PRESSA DO TEMPO




A PRESSA DO TEMPO

não basta o coração estar anoitecendo pela saudade,
Vai-se também o sol...
O tempo, o regente da vida,
Cada dia mais rápido,
Desnorteia-me...

O sol, nem bem termina seu ato,
A lua já está no palco,
Meio sem graça, com a pressa do tempo,
Que impõe sua estreia,
Ofuscando a despedida do sol,

Mas como dama da noite,
Elegante e gentil,
Faz-se pálida,
Demora um pouco...
A mostrar sua linda claridade!

(mas...
Minha saudade permanece...).
Irani Martins
29/05/2015


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Se não passou...vai passar!



   Pronto!
   Passou!
                 Se não passou...
         Vai passar,


O tempo que rege a vida, 

Não faz questão de parar.



Irani Martins 

domingo, 24 de maio de 2015

ONDE, EM NÓS MORA A CASA.






O importante não é a casa onde moramos.
Mas onde, em nós, a casa mora.
Mia Couto.
Por Fabíola Simões.
Adoro a prosa poética de Mia Couto. Entre tantos livros, tenho preferência por meu primeiro exemplar:“Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”.Revisito suas passagens e me aprofundo em suas reflexões carregadas de sensibilidade e poesia. Uma delas, em particular, me atrai: ‘O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora”.
Alguns lugares permanecem vivos dentro da gente. independente do tempo em que vivemos neles. Sobrevivem ao tempo, às despedidas e desistências, às necessidades de se seguir em frente, ao desapego. Resistem como alicerces tão firmes quanto foram as lembranças, e mesmo sendo objetos, perduram repletos de memórias.

Não morei naquela casa, mas durante algum tempo foi o lar de meus pais. Antes do bilhete de despedida, era lá que passávamos os finais de semana, entre pães de queijo do sul de Minas e conversas na varanda, enquanto meu filho e sobrinho experimentavam as primeiras brincadeiras.
Era uma casa grande, centenária, tombada pelo patrimônio histórico, com janelões do tamanho de portas, e altura do teto a perder de vista. Uma casa bonita do interior que se destacava na descida da Matriz em direção à praça do coreto.

Ainda me lembro da última noite.

Já tinha fotografado seus cômodos e agora a estante da sala reinava vazia, restando apenas a televisão. Preferimos nos distrair da realidade e assistimos ao filme recém lançado de Arnaldo Jabor: “A Suprema felicidade”. De lá vinha a frase: ‘Nada é só bom”, e entendiamos que aquele momento era o nosso “não bom”, mas ainda assim seria revisitado muitas outras vezes, como um refúgio de lembranças e saudades.

Um ano depois, de férias pela região, esbarramos na casa aberta à visitação pública*. Era época de natal, e ali funcionava uma feirinha de artesanato comemorativa. Entrei de mãos dadas com o filhote e na cozinha chorei. Chorei não pela falta da casa, mas sim pela presença viva dela dentro de mim. Por enxergar minha mãe abrindo o forno e eu ajudando com a louça. Por ouvir a voz dos meus irmãos através da musiquinha natalina e imaginar momentos que não tiveram chance de existir. Por sentir vapores que só eu conhecia.

Vapores de vida, amor, nascimentos, despedidas, alegrias e tristezas.

Não havia mais nada de nosso lá. Ainda assim, aquelas paredes tinham tanto a dizer. Sabiam de um tempo nem sempre fiel ao que se esperava dele, mas um tempo bom.

A casa permanece à venda. Espero que os novos proprietários tenham sonhos, muitos deles, e que todos se realizem naqueles corredores e varandas. Que coloquem uma mesa grande na sala de jantar e discutam desde o preço da empadinha do Vadinho até os rumos da política atual. Que as crianças andem de patins pelos cômodos e façam uma sessão de cinema no tapete da sala. Se houver um casal, que saibam envelhecer juntos, e passeiem de mãos dadas pelas ruas da vizinhança. Que as flores do jasmim manga sejam colhidas no chão e oferecidas pelas crianças às suas mães. E que as paredes contem um pouco de nossa história àqueles que virão, para que cuidem com delicadeza daquilo que um dia quis ser parte de nossa eternidade.

Mia Couto tem razão. Já não importa mais a casa onde morei. Importa sim, a casa dentro de mim. Sabendo que vou me lapidando a partir do que existe, mas também daquilo que vivi e deixei partir. Entendendo que minha fachada não é somente o reboco visível, mas sim muitos outros alicerces imperceptíveis aos olhos. Descobrindo que também abrigo palavras não ditas, caminhos não escolhidos, sonhos não realizados. Aceitando a vida como ela é. cheia de acertos e imperfeições, percalços e contradições, desafios e realizações…

Nota: Artigo originalmente publicado no site da autora, cuja leitura recomendamos: A soma de todos os afetos


sábado, 9 de maio de 2015

ONDE ESTÁ O MEU PRESENTE?


Acordei pensando no dia de amanhã.
Não com a ansiedade e preocupação que o amanhã sempre nos traz, mas com a alegria da criança que espera o seu presente.
DIA DAS MÃES!!!!!
Que mãe não gostaria de ser presenteada com a presença dos seus filhos.
TODAS ELAS!
E pensando no meu presente, pensei também nos meus presentes à minha mãe.
Fui buscar nos meus arquivos, meus PRESENTES EM FORMA DE PALAVRAS, porque eram assim meus verdadeiros presentes a ela.
Colocava em palavras o que ia no meu coração!
Comecei a reler, e me deparei com o MEU PRESENTE!
Sempre...mesmo que os anos passem, sempre que reler essas palavras e me lembrar da cena que a inspiraram, me sentirei presenteada pela vida, e por ELA, minha MÃE.
Então nesse dia das mães, dou a mim mesma este momento de lembrança, do presente que ganhei em um dia passado.
As pessoas não se vão das nossas vidas.
Elas vivem através dos seus atos, nas nossas memórias.

Eis, o MEU PRESENTE!


BOA TARDE D. EMEGARDE!


Brincávamos... 

Ao amanhecer... 

Criamos uma alegria... 

Construímos uma magia! 

Eu te acordava e dizia... 

- Bom dia D. Maria! 

E você me respondia... 

- Boa tarde D. Emegarde! 


D. Emegarde! 

Nasceste quando já chegava à idade da leveza, 

Quando seus filhos, entenderam sua beleza, 

No momento que acordando para a realidade, 

Te colocaram no trono da bondade. 


D. Emegarde, 

Nasceste da melhor parte de mim... 

Aquela que só tú conhecias assim... 

Alegre, brincalhona, querendo vê-la sorrir, 

Fazendo graça com o seu dormir. 


Mas minha maior riqueza, 

Que guardo no coração com certeza, 

Tamanha foi a beleza... 

Em que... chegando eu... você sorria! 

E me abraçando dizia... 

Boa tarde D. Emegarde, que saudade de você! 


Soube então nesse momento... 

Que a brincadeira não foi ao vento... 

Instalou-se em seu coração... 

E no abraço de então... 

Eu Irani, cheia de emoção...me dei conta nessa hora... 

Que fui alguém prá Senhora. 


Obrigada minha querida, 

Por esta alegria incontida... 

Do presente lindo que me deu... 

De saber que Emegarde era eu! 


Irani Martins 

04 de abril de 2012 

(minha mãe Iracema, 
com seus 87 anos, embora não tivesse Alzheimer, 
se esquecia facilmente de quem éramos) 





     

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O CÓRREGO


O Rio

Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas nos céus, refleti-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.


Manuel Bandeira

domingo, 5 de abril de 2015

TODO DIA VESTIMOS A NOSSA MÁSCARA!


Digo que somos três pessoas em uma.
A que sabemos quem somos, mas escondemos, atrás da máscara social.
A que Deus sabe e conhece de nós.
E aquela que as pessoas pensam que somos.
Ficamos com a última, todo dia, ao sair às ruas.
Mas como dizia meu pai, nas suas lições tão sábias,
"O costume de casa... vai à praça, cuidado!" 
Um dia, nossa máscara cai em plena praça, e a pessoa que somos dentro de casa, fica exposta para todos conhecerem.
Ninguém consegue se vigiar tanto, a ponto de escondê-la para todo o sempre!
Se assim fosse, vigiaríamos, constantemente, nossos pensamentos, nossas palavras e atitudes e nunca precisaríamos de máscaras.
Uma reflexão para um dia em que tanto se fala em renascimento.
 
Irani Martins
05/04/2015



sábado, 4 de abril de 2015

O SOM DO SILÊNCIO...

               
 
O SOM DO SILÊNCIO 
Há um tempo que o silêncio tem voz,
E passamos a ouvi-lo.
E procuramos de onde vem o som do silêncio,
Que fala ao nosso pensamento,
Quando é suave, e fala com doçura, 
Trazendo à mente a paz de uma bela paisagem,
Sei que vem do coração, nem preciso buscar a fonte,
Mas vezes há, que o silêncio é barulhento,
Não há sons que vibram ternura,
Há acordes dissonantes, com tons altos, vibrantes,
Como gritos de socorro,
Também sei de onde vem esse som horripilante,
O som desse silêncio que grita,
Que torna minhas noites tão tristes,
Nasce do desencontro,
Da falta de sintonia,
Da consciência e a vontade!
 Irani Martins
 29/03/2015