sexta-feira, 25 de abril de 2014

O CAQUIZEIRO

E ele retorna...
 
 
Todo ano,
 
O tucano vem atender ao chamado do caquizeiro, carregado de frutos doces.

Tão colorido e cheiroso,
O caquizeiro, torna-se, também, irresistível aos nossos amigos passarinhos, que se associam conosco e ao tucano ...turista,
nos prazeres da degustação desta delícia.


E assim,
ano a ano...
o caquizeiro recebe ilustres visitas, que alegram o nosso quintal,
trazendo também novas cores e nuances,
modificando a paisagem rotineira,
dando um novo toque à velha paisagem.
A Vida se renova!

 
Irani Martins
 
22/04/2014
 

SOU FORÇA

Sou Força
 

A força está por aí,
Espalhada no universo,
Em seu formato atômico....

Buscá-la, demanda sintonizá-la,
Em pensamento.
A criatura, age, buscando sua origem,
Se integrando ao seu habitat.
Gira, à procura da força,
E nesse círculo que forma,
De procura, busca e desencontros,
Acaba por se encontrar,
Se descobre...em si mesmo.
Sou átomo, sou energia,
Sou parte desse todo universal.
Sou força!
O círculo se fecha.
O que busco?



Irani Martins
24/04/2014

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A CASA, O QUINTAL, O LAR a SAUDADE.


Da janela,
Avisto a casa ao lado, pintada de cor de rosa.
E a paineira amiga, sombreia, num colorido igual.
Alguém vem vindo, andando, com as mãos cheias dos
ovos frescos,colhidos agora.
Tal qual criança que foi, e ainda conserva muito dessa criança consigo, coloca alguns no bolso da camisa, da calça, para ajudar no transporte.
 
 
E a vista corre pela paisagem, colhendo o frescor do dia, que amanheceu com ares nublado, prometendo a chuva esperada e que será tão bem vinda.
O dia está convidando a ficar assim,
observando,
procurando o que na pressa de todo dia os nossos olhos não veem.
 
E meus ouvidos estão atentos, ao trinado dos passarinhos.
Bem te vis e canarinhos, parecem competir, cantando todos ao mesmo tempo.
Vejo um canário amarelo pousando na árvore ao lado,
 
mas a borboleta, encanta na florzinha do jardim.
 
 
Dias assim, me leva ao tempo que se foi...
E se foi há muito...
Um tempo em que vagalumes compunham a cena familiar das "contações de causos".
 
Para que luz elétrica, se a lua nos proporcionava a claridade necessária e ideal para o momento e para o cenário das narrativas?
 
Interessante, que a maioria dos "causos" contados eram de terror e era grande  a expectativa para o final da história.
Outros "causos", tinham fundo moral, e a maioria nos enternecia, pois sempre havia uma luta entre o bem e o mal, onde o bem sempre vencia, nos mostrando um lado puro da vida.
Crianças puras que fomos...
Sempre tinha alguma guloseima, prática, pois todo mundo de "mamando a caducando" queriam estar na roda.
Às vezes pipoca, bolinhos de chuva, chá, coisinhas assim, que complementava, pois o foco eram as histórias.
Meu pai contava as suas, e ele tinha uma especial "Os 40 bois", tantas vezes nos reunimos, tantas ele contava, e todo mundo ria, mesmo que já conhecesse e tivesse ouvido muitas e muitas vezes.
Tem coisa melhor que ouvir um pai contar seus "causos"?
 
Tem magia, tem orgulho, tem admiração,
tudo envolvido, com as emoções da narração.
Como tudo foi tão bom!
 
O dia me levou lá atrás....
E agora me traz de volta à minha realidade...
Tudo está tão quieto!
Não foi o dia...
Foi a saudade...
 
Irani Martins     23/04/2014




sábado, 5 de abril de 2014

UM DIA DAQUELES...

Um dia daqueles...
 
Um dia daqueles, pode significar muitas coisas.
Para cada coração, uma janela.
Para o coração que canta...
Um dia daqueles é o dia onde os pássaros cantam, a vida tem cores e tudo parece lindo.
Para o coração que chora...
Um dia daqueles, pode ser um dia de chorar a saudade de alguém que se foi,
 levado pela morte ou pelas perdas da vida,
Para um coração sereno...
Um dia daqueles...
Está representado na calma tranquila de esperar, apenas esperar,
 que o espetáculo da vida aconteça dia a dia.
Para o coração que está triste...
Um dia daqueles, pode ser muitos dias dentro de um mesmo dia...
É um dia de cor cinza,
onde os desencontros acontecem logo que os olhos se abrem,
 e você não entende o porque.
É um dia daqueles, que você chora o dia da primeira decepção da criança que foi,
 relembrando detalhe a detalhe...
É o dia, que fica pensando se tomou os rumos certos nas bifurcações da sua estrada...
Um dia de questionamentos entre o ontem e o hoje...
Um dia daqueles...
Um dia daqueles em que você só queria ser mimada, se saber amada,
 para que todos os questionamentos se fossem e você pudesse saltar num minuto
para um dia daqueles...
UM DIA DAQUELES...
Onde não houvesse dúvidas de que fosse o que fosse a vida,
 o dia, o momento, a hora, a idade, a solidão...
Haveria serenidade no coração...pois a esperança lá estaria plantada,
 na certeza de que em qualquer despertar, a janela que se abriria mostraria a paisagem esperada
 e sonhada de todos os encontros com os entes amados.
Um dia daqueles é...um dia daqueles para cada dia alegre ou triste do seu coração.
 
Irani Martins
 
05/04/2014
 

segunda-feira, 31 de março de 2014

AO TEMPO...AO TEMPO...

 
 
oração ao tempo
 
 
"Quem teve o privilégio de viver muito sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. 
Às vezes, as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam. 
Outras vezes, elas se depositam devagar como a conta gotas diante da avidez das nossas perguntas. 
E, por isso, quem teve o privilégio de viver muito tempo, aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida.
Amores ardentes se extinguem. 
Urgências se acalmam. 
Passos ágeis, alentam.
Enfim, tudo muda. 
Muda o amor, mudam as pessoas, muda a família, só o tempo permanece do mesmo modo, sempre passando.
Um brinde ao tempo que esculpiu no meu rosto 
e na minha alma, a sua marca que tanto me orgulho.

Ao Tempo!.... Ao Tempo....."


sexta-feira, 14 de março de 2014

PARA POESIA PRECISA TER DIA?

Me disseram,
 que hoje é o dia da poesia...
Para ter o poema é preciso ter um dia?
A mim, parece que basta ter um poeta, e uma alma sensível.
 
 



UM DIA.
Um dia... talvez...
A  lua chegue devagarinho...
Clareando a escuridão da minha alma....
Dia a dia...
Se adentrando...
Até que se transforme em sol...
Fazendo da noite, dia!
Nesse dia...Talvez...
A luz se volte prá mim...
Clareando e mostrando enfim...
O que fui e o que sou.
Um dia...Talvez...
A noite se transforme em dia...
Exteriorizando o meu “EU”
O que fui....
O que sou...
O que prometo...
E da noite tão escura...
Assim que se torne dia,
Surge o amor que carrego...
Do que plantei no passado...
Do que semeio agora....
Prá colheita do futuro.
Viverei...doravante...
Pelo dia que a noite se transforme em dia...
E então...Talvez...
O que sou se esclareça.
 
Um dia talvez...

Irani Martins     

quinta-feira, 13 de março de 2014

PARA HUMANIZAR O DIA...




Poema em linha reta
Fernando Pessoa(Álvaro de Campos)
 
 
            Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.