domingo, 28 de agosto de 2016

A PRESSA DO TEMPO...


A PRESSA DO TEMPO

Já não basta o coração estar anoitecendo pela saudade,
Vai-se também o sol...
O tempo, o regente da vida,
Cada dia mais rápido,
Desnorteia-me...

O sol, nem bem termina seu ato,
A lua já está no palco,
Meio sem graça, com a pressa do tempo,
Que impõe sua estreia,
Ofuscando a despedida do sol,

Mas como dama da noite,
Elegante e gentil,
Faz-se pálida,
Demora um pouco...
A mostrar sua linda claridade!

(mas...Minha saudade permanece...).

Irani Martins
29/05/2015



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...


     
                                          


TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...



Tem dia que o sol se abre,


Tem dias, que a chuva chega,


Tem dia, que o sol se apaga,


Tem dia, que tem arco íris,


Tem dia, que sou sorriso,


Tem dia que sou só líquido,


Tem dia, sou quase anjo,


Tem dia, uso tridente,


Tem dia, me nascem penas,


Tem dia, elas se queimam,


Tem dia, que abraço o mundo,


Tem dia, eu quero abraços,


Tem dia, eu colho a vida,


Tem dia, que eu planto a morte,


Tem dia, que subo ao céu,


Tem dia que desço às trevas,


Tem dia que sou só luz,


Tem dia, que tudo é escuro,


Tem dia que sou tão eu...


Tem dia que busco a mim...


Tem dia que sou assim...


Um arremedo de mim!


Irani Martins

05/08/2016

TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...


     
                                          


TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...


Tem dia que o sol se abre,
Tem dias, que a chuva chega,
Tem dia, que o sol se apaga,
Tem dia, que tem arco íris,
Tem dia, que sou sorriso,
Tem dia que sou só líquido,
Tem dia, sou quase anjo,
Tem dia, uso tridente,
Tem dia, me  nascem penas,
Tem dia, elas se queimam,
Tem dia, que abraço o mundo,
Tem dia, eu quero abraços,
Tem dia, eu colho a vida,
Tem dia, que eu planto a morte,
Tem dia, que subo ao céu,
Tem dia que desço às trevas,
Tem dia que sou só luz,
Tem dia, que tudo é escuro,
Tem dia que sou tão eu...
Tem dia que busco a mim...
Tem dia que sou assim...
Um arremedo de mim!

Irani Martins

05/08/2016

TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...


     
                                          


TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...


Tem dia que o sol se abre,
Tem dias, que a chuva chega,
Tem dia, que o sol se apaga,
Tem dia, que tem arco íris,
Tem dia, que sou sorriso,
Tem dia que sou só líquido,
Tem dia, sou quase anjo,
Tem dia, uso tridente,
Tem dia, me  nascem penas,
Tem dia, elas se queimam,
Tem dia, que abraço o mundo,
Tem dia, eu quero abraços,
Tem dia, eu colho a vida,
Tem dia, que eu planto a morte,
Tem dia, que subo ao céu,
Tem dia que desço às trevas,
Tem dia que sou só luz,
Tem dia, que tudo é escuro,
Tem dia que sou tão eu...
Tem dia que busco a mim...
Tem dia que sou assim...
Um arremedo de mim!

Irani Martins

05/08/2016

sábado, 23 de julho de 2016

NUNCA SOUBEMOS DANÇAR, MAS JÁ DANÇAMOS DE TUDO!



NUNCA SOUBEMOS DANÇAR, MAS JÁ DANÇAMOS DE TUDO!
E o tempo vai arredondando os anos, acrescentando outros, incluindo novos capítulos ao livro da vida, desbotando as velhas lembranças, nos presenteia com novos amores e nos rouba outros de nossas vidas.
Escrevemos a nossa história um tanto mais devagar, agora.
O ritmo frenético do rock in rol, passou pelo romantismo de “detalhes” de Roberto Carlos, bailou algumas vezes em ritmo de bolero e samba que se fingia dançar, apenas pelo prazer de se tocar. E chega aqui, ao som variado dos grandes sucessos de outrora.
Ainda construímos alguns capítulos novos, mas a maioria é um reviver de lembranças.
Comparados os temores, buscamos os temores da juventude e não encontramos, eram moinhos de vento, tais quais os de Dom Quixote, e, no entanto, nos pareciam feras famintas!
Hoje reconhecemos que se resumiam apenas às novidades comuns do dia a dia, apenas nos eram desconhecidas.
O maior medo? Perdermos um do outro.
Ah! Mas esse continua!
Tenho medo de perdê-lo para a vida, para o tempo!
E lá se foram 40 anos de casamento.
E lá se foram 45 anos de convivência amorosa.
Não vou dizer que é quase meio século, pois me sentirei velha para continuar com minhas palavras de amor.
Não me sinto velha!
Quem me faz velha é o espelho.
E eu ainda não li nenhum estudo, para entender como descobriram a sua fidelidade de imagem.
E nem quero. Resta-me o benefício da dúvida.
Eu me faço jovem e velha, no meu dia.
Se tiver você comigo, reescrevendo memórias, ou novos capítulos, se rimos juntos de bobagens lembradas, nos emocionamos às lágrimas por outras lembranças de histórias que escrevemos, ou tantas batalhas vencidas, me mantenho jovem, pois você é minha força.
Seria velha, se não pudesse reconstruir com você novos capítulos.
É sua alegria que faz a minha. O seu sorriso que reflete outro em mim.
Aprendi nesses anos tantos, que dia a dia, fomos nos fundindo...
E lá atrás, naqueles abraços apaixonados, pensávamos que nos fundíamos um no outro. Doce ilusão dos apaixonados.
Fundimo-nos um no outro, dia a dia, nesses 40 anos de convivência diária, nos conhecendo, trilhando uma estrada que nos leva a objetivos comuns. A felicidade um do outro.
Fundimo-nos um, no outro, quando percebemos que realmente, somos um. E que, de verdade, não posso feri-lo, sem ferir a mim mesma, e é uma ferida que leva tempo a cicatrizar, e nesse tempo não há leveza, não há risos soltos, não há alegria, apenas pesares.
Fundimo-nos no dia a dia, quando o toque já não é ditado pela paixão. Os arrepios não acontecem na pele, mas todos os momentos, em qualquer toque de mão, e até no olhar, e vibra no pensamento, no valor reconhecido, e se aninha no coração agradecido.
Fundimo-nos, dia a dia, ano a ano, e aqui estamos...
Com mais rugas, olhando o espelho só de relance, sem arriscar, nunca, de perfil, mas, olhando, francamente, frente a frente, sem temores, os espelhos dos nossos olhos.
Esse é o espelho da verdade!
Conta mais sobre mim e ti, que o espelho de cristal.
Faz-me mais bela ou mais feia, verdadeiramente.
Houve muitos erros, sim, houve muitos...
Meus e seus...
Muitos aprendizados...
Olho para traz e tenho saudade de nós...
Mesmo dos tempos difíceis, não digo das horas difíceis, dos erros.
Pudesse os apagaria.
Mas dos tempos difíceis, pois me traz lembranças dos dribles que demos na vida.
De alguns sorrisos vitoriosos, que pudemos ostentar.
Somos vitoriosos da vida.
Cinco heróis que de batalha em batalha vencemos guerras.
Somos nós.
E estamos, ainda, aqui.
Outras lutas, talvez guerras, possam vir.
Talvez mudemos nossas armas, por não conseguirmos mais usarmos as mesmas armaduras e elmos de outrora, mas continuamos na luta.
Mas com certeza, e disso tenho certeza...
Conseguiremos, ainda, pelos dias que nos rentam, movidos pela alegria de estarmos juntos, aqui, ainda, e vencedores...
Dançar um rock in rol, talvez não tão natural, mas dançaremos!
E, abraçados, fingiremos dançar um bom samba, ou um bolero, como sempre fizemos, alegrando nossa vida, sem nos importarmos se alguém percebia o descompasso de nossos pés.
E daí?
Nossa alegria estava ritmada com o toque dos nossos corações que cantavam outra canção...
Uma canção de amor, como ainda canta agora.
Nunca soubemos dançar, mas ensaiamos e dançamos os compassos e ritmos que a vida sonorizou para nós.
E lá atrás, tínhamos medo do desconhecido!!!!
Talvez agora, a vida nos dê a oportunidade de dançar de rostinho colado, comemorando essa nossa “BODA DE ESMERALDA”, num compasso mais lento, um pra lá e um pra cá, pois a cada dia mais, precisamos apoiar-nos um ao outro.
Vem dançar comigo?
Meus pés já não tem a mesma destreza, mas meu coração rodopia dançando com você.
E se você sorrir para mim...
Pouco importa se errar mil vezes o compasso...
Amo-te, te amo!
Quarenta anos depois, eu digo: te amo, com a mesma facilidade, com que você sorri, quando digo.

Irani Martins
24/07/2016


segunda-feira, 30 de maio de 2016

DENISE, FUXIQUEI SEU CASAMENTO





DENISE,

FUXIQUEI SEU CASAMENTO...


O que é verdadeiramente “UM PRESENTE”?
Para mim. É estar “pré” vivendo, idealizando, ou “pré” preparando, pensando, organizando uma ideia, um momento, um gesto, um carinho.
E assim é, e assim foi...
Fuxicando, cozi e coloquei em cada flor, pensamentos e sentimentos para você.
Criando, atando cores, fazendo nós, harmonizando cores, idealizando alegrias, e na arte de cozer, fui amarrando as minhas bênçãos de mãe.
E foi assim, fuxicando, que enredei orações por sua felicidade...
Um presente singelo, puro amor construído, ponto a ponto!
Compor as partes de cada flor foi criar uma trova “orada por minhas mãos”, para que permanecessem costuradas à sua vida, a minha fé, de que Deus estará contigo na sua caminhada.
Não houve lágrimas, pois consegui antever o resultado de um cozimento de amor, transformado em um jardim de alegria para você.
Em tempo de cozimento, eu me “pre” senteei, antevendo sua alegria, seu sorriso, sua satisfação.
Ao concluir, continuei a me “pré” sentear, coração ansioso, à espera do brilho dos seus olhos.
E consegui a graça de ver o retorno, na sua alegria.
Não há “presente” que fique sem retorno, quando é um “PRÉ” SENTIDO, “PRÉ” AMADO.
Minha filha querida,
Espero que se sinta tão feliz e abraçada quanto eu.
Na simplicidade de tudo, a melhor festa aconteceu no colorido, na alegria e no presente verdadeiro, o abraço coletivo, um pedacinho de cada um, um Pré... sente construído por uma família que te ama.
Sinta-se verdadeiramente amada!
Foram dias, foram horas, foram meses, foram presenças, foram abraços, foram palavras, foram tantos os carinhos e de tão variadas formas, que não havia como não ser um verdadeiro cozimento de amor e aconchego.
O terreno foi preparado, e feito fértil de amor.
Enredamos-te, e abraçamos como você merece.
Sejam muito felizes!
E que os fuxicos, atados, flor a flor, cor a cor, por minhas orações maternas, permaneçam colorindo todos os dias de vossas vidas.
Amo-te!
Mamãe.
28/05/2016





segunda-feira, 16 de maio de 2016

O FRÁGIL PODE SER MAIS FORTE?


O FRÁGIL PODE SER MAIS FORTE?

Você sai de casa confiante, se sentindo a mesma de todos os dias.
Ou melhor, sentindo-se a mesma de tantos e tantos anos atrás.
Mas, a figura que você faz de si mesma, nem sempre corresponde ao que reflete para outras pessoas.
E hoje eu saí de casa me sentindo inteira, e retornei uma senhora idosa, frágil, desencantada, e com certeza, não é assim que normalmente me vejo.
Tentei entender, busquei respostas, mas o dia chegou ao fim, o sol adentrou o horizonte e a noite traz um pouco mais de escuridão às minhas interrogativas.
O que justifica um ser humano atacar, gratuitamente, a outro, com palavras grosseiras, quando aparentemente, não há um que nem por quê?
Saí em busca de ajuda e respostas para um problema e voltei com o mesmo problema e uma enorme angústia por não entender nada da agressão verbal sofrida.  Fiquei o dia todo tentando entender se a maior infelicidade era a minha ou dela.
A minha infelicidade, se dá, aos pensamentos que me entristecem, pois trazem a mim a certeza de que envelheci, e a minha imagem reflete muito pouco respeito, como sabemos é tão comum na nossa sociedade, não respeitar as pessoas mais velhas.
É real, envelheci!
Noutros tempos, talvez, discutisse, gastaria uma energia enorme tentando fazer valer minha justiça.  Até tentei argumentar, mas o absurdo me deixou estática e arrasada.
Outra prova de minha fragilidade foi que minha única reação foi parar na calçada e chorar, sem me importar com quem visse.
Não tinha raiva. Tinha tristeza, como tenho até então.
Passei um dia rememorando, tentando ver onde eu poderia ter errado e não encontro o ponto onde coloquei fogo no pavio e provoquei toda aquela explosão gratuita.
Concluo que, envelhecer é algo que precisamos aprender, não só aceitar.
Aprender que o que sentimos e vivemos dentro do nosso corpo nunca corresponde com o nosso exterior, e a leitura que as pessoas fazem de nós são diversas. 
São leituras feitas de acordo com a forma como nos olham, essa é a primeira leitura, a mais importante, a que pode nos levar ao paraíso ou ao inferno, dependendo do sentimento que colocam nesse olhar. Mas há a leitura corporal que podem nos colocar em posição de respeito ou em posição de possível vítima.
Deixei-me ser tratada assim? Não creio que tenha permitido.
Talvez os meus anos de vida, tenham me levado tão longe de fatos assim, que me estarreci, mas não enraiveci, não veio ao meu coração o instinto natural de caça e caçador, que pudesse me levar a uma defesa agressiva à altura. Umas lágrimas foram suficientes para lavar minha alma ferida. Ficou essa certeza incômoda de haver refletido meus anos de idade e a certeza da minha fragilidade haver fortalecido a violência natural de outrem.
No final do meu dia, um pensamento veio em meu socorro, e me trouxe paz.
“Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor”... Magoar alguém é terrível!

Irani Martins

16/05/2016