segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ESPETÁCULO NOTURNO



ESPETÁCULO NOTURNO

E a noite monta o cenário,
Faz a chamada,
Do Astro Rei que encena a triunfante retirada,
Cheio de pompa,
Deixando rastros coloridos, mesclados à noite que adentra,
Pintando o céu de esplêndidas paisagens.
E a noite no aguardo da Lua,
Que, em sua fase minguante,
Perdeu parte da sua luz, se intimida,
E tarda a responder ao chamado,
E o cenário noturno paira vestido de negro,
Até que surge o imprevisível,
Ornamentando a noite com fascinante espetáculo,
Aproveitando o momento oportuno,
Ostentando sua luz cintilante,
Riscando a noite negra,
Entra em cena,
O humilde vaga-lume.
E a lua, devagarinho se aproxima,
Tímida,
À meia luz,
Tornando o cenário perfeito,
Convida, Eu e Tu,
A nos amarmos, como outrora!

Irani Martins

21/11/2016

terça-feira, 15 de novembro de 2016

SOU FORÇA


A força está por aí,
Espalhada no universo,
Em seu formato atômico.
Buscá-la, demanda sintonizá-la,
Em pensamento.
A criatura, age, buscando sua origem,
Se integrando ao seu habitat.
Gira, à procura da força,
E nesse círculo que forma,
De procura, busca e desencontros,
Acaba por se encontrar,
Descobre-se em si mesmo.
Sou átomo, sou energia,
Sou parte desse todo universal.
Sou força!
O círculo se fecha.
E eu andava à procura da????
O que busco?

Irani Martins

25/04/2014

domingo, 13 de novembro de 2016

"A ESTRADA"



A ESTRADA
Toda estrada guarda uma história,
Dos pés que ali pisaram,
Dos que à sombra se sentaram,
Conversando com o vento,
Contaram das emoções nascidas,
Regaram as alegrias ou tristezas,
Com as lágrimas vertidas.
E seguiram,
Deixaram naquela estrada algo de si,
E levaram a leveza do escutar silencioso,
Isento de julgamento,
Sabedora de todas as alegrias e dores dessa vida,
Experiente, das dores alheias,
Apenas recebe os que por ela passam,
Acolhedora,
E todos se vão,
Estão de passagem,
Seguem seu destino,
Deixando ali algo das suas dores, prazeres, conflitos e sonhos,
Passos lentos, apressados, animados, temerosos,
Preguiçosos, indolentes, sonhadores e descrentes,
Vão deixando seus rastros de...
De flores,
Ou dores
E a estrada ali permanece,
Reflexiva...

Irani Martins

 13/11/2016

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A MULHER INVISÍVEL LEGENDADO.wmv







A nossa vida toda é construída sobre nossas ações.
Cada gesto, cada tarefa dentro do nosso lar ou do ambiente de trabalho é peça, ferramenta e material na construção da nossa história.
Mas muitas vezes, nos sentimos desvalorizados, pois por melhor que seja o nosso feito, por mais que tenhamos posto o melhor de nós nessa orbra, parece que ninguém vê.
Nunca recebemos o nosso reconhecimento.
E sempre ficamos esperando um gesto de retribuição ou reconhecimento.
Fica difícil conviver com o fato de não ser reconhecida.
Aí me lembre de um texto de Madre Tereza, que nos coloca no centro da sua compreensão.
Então...além de Deus...alguém sabe!
"Madre Tereza de Calcutá"
"O bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã.
Faça o bem, assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante,
Dê o melhor de você, assim mesmo.
Veja você que, no final das contas é
Entre Você e Deus e não entre você e os homens"
(apenas um pedaço do seu texto)
Irani Martins.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

“A PIOR FORMA DE POBREZA”


“A PIOR FORMA DE POBREZA”,
               por Hirondina Joshua

Os antigos aqui em Moçambique, quando dizem que alguém é pobre, saiba que é órfão ou é sozinho.
Aqui na minha terra a pobreza não se mede pelos bens materiais. Pobre é aquele que não tem ninguém.
Mede-se a riqueza pelo número de pessoas com quem podemos contar, tenhamos com elas laços de sangue ou não.
Então estes conceitos de pobreza e nobreza transcendem questões materiais. Ora, ter alguém com quem contar é mais que ter um carro ou uma casa ou mesmo uma grande conta bancária.
Nestes tempos de globalização, até a pobreza mudou de gestos: olha para o ocidente. E o contrário é sem dúdiva um acidente.
Vamos fugindo da nossa pobreza para a pobreza dos outros.
Não será esta a pior forma de pobreza?


sábado, 8 de outubro de 2016

PRENDI O CANTO DO PÁSSARO, CONTIGO, NA GAIOLA.


PRENDI O CANTO DO PÁSSARO, CONTIGO, NA GAIOLA.

Quando vi que o som da natureza não te acordou,
Que o canto dos pássaros, não adentrou o seu mundo,
Que não mais via o mundo com os mesmos olhos,
E todo o som que ouvia, era o ruído dos seus próprios pensamentos,
Prendi o canto do pássaro em uma gaiola,
E coloquei à sua frente,
Na esperança que renascesses...
Vivi um mundo inquieto,
De olhos atentos,
De “ouvidos em pé”,
De silêncio profundo,
Esperando sinais...
Um brilho nos olhos,
Uma palavra muda,
Um som que falasse...
Um gesto de vida.
E o canto engaiolado foi trinando mais alto...
Repicava a garganta, o canário que cantava,
Se não sabia em consciência,
Adivinhava a responsabilidade do seu canto,
E cantou...
Aprendeu novas notas,
Criou novos compassos,
E tornou mais belo o seu canto,
Adentrou o ouvido que se mostrava surdo,
Deu vida aos olhos embaçados,
Movimentou a boca num sorriso tímido,
Trouxe ação ao corpo que se mantinha inerte.
E este, num momento de descuido,
Se fez vivo,
E trouxe uma companhia para seu pássaro cantante,
Quanto te vi,
Surdo para som do mundo,
Prendi o canto do pássaro contigo na mesma gaiola,
E trouxe a vida de volta para ti.

Irani Martins
07/09/2016



terça-feira, 20 de setembro de 2016

 

Pedaços de mulher

(...) Quantos pedaços formam uma mulher? Tantos que ela vive inacabada.
Nossos pedaços custam a se encaixar. O epicentro do quebra-cabeça costuma ser a maternidade, um pedaço grande que precisa combinar com o pedaço da luxúria, com o pedaço da solidão e também com aquela partezinha da preguiça, que ninguém avisou que fazia parte do jogo.
Há peças variadas, que vistas separadamente, não têm nada a ver uma com a outra, mas juntas fazem o shazam. O pedaço da submissão que precisava encaixar com o pedaço da rebeldia, o pedaço da juventude que tem que encaixar com o pedaço da menopausa, um pedaço desgarrado que tem que encaixar com o imenso pedaço da nossa árvore genealógica, e vários outros pedaços aparentemente sem combinação: nossa parte homem, nossa parte criança, nossa parte louca, nossa parte santa, nossa parte lúcida, nossa parte conveniente, nossa parte viciada, e mais aquelas desgastadas pelo uso, e umas que se perderam, e outras tão pequenas que ficaram invisíveis. Como encaixar o que não se revela nem para nós mesmas?
Almadôvar filma as mulheres como se elas fossem pizzas de vários sabores. Mezzo freiras, mezzo HIV positivas. Mezzo doces, mezzo apimentadas. Mezzo dramáticas, mezzo divertidas. Almadôvar nunca fecha o quebra cabeça, apenas esparrama na tela os vários pedaços que, unidos, nos transformariam num ser único, e que, uma vez pronto, já não empolgariam ninguém.Daí a importância se haver sempre uma peça faltando, pois é isso que nos mantém acordados, assim no cinema como na vida.
Martha Medeiros