terça-feira, 20 de setembro de 2016

 

Pedaços de mulher

(...) Quantos pedaços formam uma mulher? Tantos que ela vive inacabada.
Nossos pedaços custam a se encaixar. O epicentro do quebra-cabeça costuma ser a maternidade, um pedaço grande que precisa combinar com o pedaço da luxúria, com o pedaço da solidão e também com aquela partezinha da preguiça, que ninguém avisou que fazia parte do jogo.
Há peças variadas, que vistas separadamente, não têm nada a ver uma com a outra, mas juntas fazem o shazam. O pedaço da submissão que precisava encaixar com o pedaço da rebeldia, o pedaço da juventude que tem que encaixar com o pedaço da menopausa, um pedaço desgarrado que tem que encaixar com o imenso pedaço da nossa árvore genealógica, e vários outros pedaços aparentemente sem combinação: nossa parte homem, nossa parte criança, nossa parte louca, nossa parte santa, nossa parte lúcida, nossa parte conveniente, nossa parte viciada, e mais aquelas desgastadas pelo uso, e umas que se perderam, e outras tão pequenas que ficaram invisíveis. Como encaixar o que não se revela nem para nós mesmas?
Almadôvar filma as mulheres como se elas fossem pizzas de vários sabores. Mezzo freiras, mezzo HIV positivas. Mezzo doces, mezzo apimentadas. Mezzo dramáticas, mezzo divertidas. Almadôvar nunca fecha o quebra cabeça, apenas esparrama na tela os vários pedaços que, unidos, nos transformariam num ser único, e que, uma vez pronto, já não empolgariam ninguém.Daí a importância se haver sempre uma peça faltando, pois é isso que nos mantém acordados, assim no cinema como na vida.
Martha Medeiros

domingo, 28 de agosto de 2016

A PRESSA DO TEMPO...


A PRESSA DO TEMPO

Já não basta o coração estar anoitecendo pela saudade,
Vai-se também o sol...
O tempo, o regente da vida,
Cada dia mais rápido,
Desnorteia-me...

O sol, nem bem termina seu ato,
A lua já está no palco,
Meio sem graça, com a pressa do tempo,
Que impõe sua estreia,
Ofuscando a despedida do sol,

Mas como dama da noite,
Elegante e gentil,
Faz-se pálida,
Demora um pouco...
A mostrar sua linda claridade!

(mas...Minha saudade permanece...).

Irani Martins
29/05/2015



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...


     
                                          


TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...



Tem dia que o sol se abre,


Tem dias, que a chuva chega,


Tem dia, que o sol se apaga,


Tem dia, que tem arco íris,


Tem dia, que sou sorriso,


Tem dia que sou só líquido,


Tem dia, sou quase anjo,


Tem dia, uso tridente,


Tem dia, me nascem penas,


Tem dia, elas se queimam,


Tem dia, que abraço o mundo,


Tem dia, eu quero abraços,


Tem dia, eu colho a vida,


Tem dia, que eu planto a morte,


Tem dia, que subo ao céu,


Tem dia que desço às trevas,


Tem dia que sou só luz,


Tem dia, que tudo é escuro,


Tem dia que sou tão eu...


Tem dia que busco a mim...


Tem dia que sou assim...


Um arremedo de mim!


Irani Martins

05/08/2016

TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...


     
                                          


TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...


Tem dia que o sol se abre,
Tem dias, que a chuva chega,
Tem dia, que o sol se apaga,
Tem dia, que tem arco íris,
Tem dia, que sou sorriso,
Tem dia que sou só líquido,
Tem dia, sou quase anjo,
Tem dia, uso tridente,
Tem dia, me  nascem penas,
Tem dia, elas se queimam,
Tem dia, que abraço o mundo,
Tem dia, eu quero abraços,
Tem dia, eu colho a vida,
Tem dia, que eu planto a morte,
Tem dia, que subo ao céu,
Tem dia que desço às trevas,
Tem dia que sou só luz,
Tem dia, que tudo é escuro,
Tem dia que sou tão eu...
Tem dia que busco a mim...
Tem dia que sou assim...
Um arremedo de mim!

Irani Martins

05/08/2016

TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...


     
                                          


TEM DIAS QUE SÃO ASSIM...


Tem dia que o sol se abre,
Tem dias, que a chuva chega,
Tem dia, que o sol se apaga,
Tem dia, que tem arco íris,
Tem dia, que sou sorriso,
Tem dia que sou só líquido,
Tem dia, sou quase anjo,
Tem dia, uso tridente,
Tem dia, me  nascem penas,
Tem dia, elas se queimam,
Tem dia, que abraço o mundo,
Tem dia, eu quero abraços,
Tem dia, eu colho a vida,
Tem dia, que eu planto a morte,
Tem dia, que subo ao céu,
Tem dia que desço às trevas,
Tem dia que sou só luz,
Tem dia, que tudo é escuro,
Tem dia que sou tão eu...
Tem dia que busco a mim...
Tem dia que sou assim...
Um arremedo de mim!

Irani Martins

05/08/2016

sábado, 23 de julho de 2016

NUNCA SOUBEMOS DANÇAR, MAS JÁ DANÇAMOS DE TUDO!



NUNCA SOUBEMOS DANÇAR, MAS JÁ DANÇAMOS DE TUDO!
E o tempo vai arredondando os anos, acrescentando outros, incluindo novos capítulos ao livro da vida, desbotando as velhas lembranças, nos presenteia com novos amores e nos rouba outros de nossas vidas.
Escrevemos a nossa história um tanto mais devagar, agora.
O ritmo frenético do rock in rol, passou pelo romantismo de “detalhes” de Roberto Carlos, bailou algumas vezes em ritmo de bolero e samba que se fingia dançar, apenas pelo prazer de se tocar. E chega aqui, ao som variado dos grandes sucessos de outrora.
Ainda construímos alguns capítulos novos, mas a maioria é um reviver de lembranças.
Comparados os temores, buscamos os temores da juventude e não encontramos, eram moinhos de vento, tais quais os de Dom Quixote, e, no entanto, nos pareciam feras famintas!
Hoje reconhecemos que se resumiam apenas às novidades comuns do dia a dia, apenas nos eram desconhecidas.
O maior medo? Perdermos um do outro.
Ah! Mas esse continua!
Tenho medo de perdê-lo para a vida, para o tempo!
E lá se foram 40 anos de casamento.
E lá se foram 45 anos de convivência amorosa.
Não vou dizer que é quase meio século, pois me sentirei velha para continuar com minhas palavras de amor.
Não me sinto velha!
Quem me faz velha é o espelho.
E eu ainda não li nenhum estudo, para entender como descobriram a sua fidelidade de imagem.
E nem quero. Resta-me o benefício da dúvida.
Eu me faço jovem e velha, no meu dia.
Se tiver você comigo, reescrevendo memórias, ou novos capítulos, se rimos juntos de bobagens lembradas, nos emocionamos às lágrimas por outras lembranças de histórias que escrevemos, ou tantas batalhas vencidas, me mantenho jovem, pois você é minha força.
Seria velha, se não pudesse reconstruir com você novos capítulos.
É sua alegria que faz a minha. O seu sorriso que reflete outro em mim.
Aprendi nesses anos tantos, que dia a dia, fomos nos fundindo...
E lá atrás, naqueles abraços apaixonados, pensávamos que nos fundíamos um no outro. Doce ilusão dos apaixonados.
Fundimo-nos um no outro, dia a dia, nesses 40 anos de convivência diária, nos conhecendo, trilhando uma estrada que nos leva a objetivos comuns. A felicidade um do outro.
Fundimo-nos um, no outro, quando percebemos que realmente, somos um. E que, de verdade, não posso feri-lo, sem ferir a mim mesma, e é uma ferida que leva tempo a cicatrizar, e nesse tempo não há leveza, não há risos soltos, não há alegria, apenas pesares.
Fundimo-nos no dia a dia, quando o toque já não é ditado pela paixão. Os arrepios não acontecem na pele, mas todos os momentos, em qualquer toque de mão, e até no olhar, e vibra no pensamento, no valor reconhecido, e se aninha no coração agradecido.
Fundimo-nos, dia a dia, ano a ano, e aqui estamos...
Com mais rugas, olhando o espelho só de relance, sem arriscar, nunca, de perfil, mas, olhando, francamente, frente a frente, sem temores, os espelhos dos nossos olhos.
Esse é o espelho da verdade!
Conta mais sobre mim e ti, que o espelho de cristal.
Faz-me mais bela ou mais feia, verdadeiramente.
Houve muitos erros, sim, houve muitos...
Meus e seus...
Muitos aprendizados...
Olho para traz e tenho saudade de nós...
Mesmo dos tempos difíceis, não digo das horas difíceis, dos erros.
Pudesse os apagaria.
Mas dos tempos difíceis, pois me traz lembranças dos dribles que demos na vida.
De alguns sorrisos vitoriosos, que pudemos ostentar.
Somos vitoriosos da vida.
Cinco heróis que de batalha em batalha vencemos guerras.
Somos nós.
E estamos, ainda, aqui.
Outras lutas, talvez guerras, possam vir.
Talvez mudemos nossas armas, por não conseguirmos mais usarmos as mesmas armaduras e elmos de outrora, mas continuamos na luta.
Mas com certeza, e disso tenho certeza...
Conseguiremos, ainda, pelos dias que nos rentam, movidos pela alegria de estarmos juntos, aqui, ainda, e vencedores...
Dançar um rock in rol, talvez não tão natural, mas dançaremos!
E, abraçados, fingiremos dançar um bom samba, ou um bolero, como sempre fizemos, alegrando nossa vida, sem nos importarmos se alguém percebia o descompasso de nossos pés.
E daí?
Nossa alegria estava ritmada com o toque dos nossos corações que cantavam outra canção...
Uma canção de amor, como ainda canta agora.
Nunca soubemos dançar, mas ensaiamos e dançamos os compassos e ritmos que a vida sonorizou para nós.
E lá atrás, tínhamos medo do desconhecido!!!!
Talvez agora, a vida nos dê a oportunidade de dançar de rostinho colado, comemorando essa nossa “BODA DE ESMERALDA”, num compasso mais lento, um pra lá e um pra cá, pois a cada dia mais, precisamos apoiar-nos um ao outro.
Vem dançar comigo?
Meus pés já não tem a mesma destreza, mas meu coração rodopia dançando com você.
E se você sorrir para mim...
Pouco importa se errar mil vezes o compasso...
Amo-te, te amo!
Quarenta anos depois, eu digo: te amo, com a mesma facilidade, com que você sorri, quando digo.

Irani Martins
24/07/2016


segunda-feira, 30 de maio de 2016

DENISE, FUXIQUEI SEU CASAMENTO





DENISE,

FUXIQUEI SEU CASAMENTO...


O que é verdadeiramente “UM PRESENTE”?
Para mim. É estar “pré” vivendo, idealizando, ou “pré” preparando, pensando, organizando uma ideia, um momento, um gesto, um carinho.
E assim é, e assim foi...
Fuxicando, cozi e coloquei em cada flor, pensamentos e sentimentos para você.
Criando, atando cores, fazendo nós, harmonizando cores, idealizando alegrias, e na arte de cozer, fui amarrando as minhas bênçãos de mãe.
E foi assim, fuxicando, que enredei orações por sua felicidade...
Um presente singelo, puro amor construído, ponto a ponto!
Compor as partes de cada flor foi criar uma trova “orada por minhas mãos”, para que permanecessem costuradas à sua vida, a minha fé, de que Deus estará contigo na sua caminhada.
Não houve lágrimas, pois consegui antever o resultado de um cozimento de amor, transformado em um jardim de alegria para você.
Em tempo de cozimento, eu me “pre” senteei, antevendo sua alegria, seu sorriso, sua satisfação.
Ao concluir, continuei a me “pré” sentear, coração ansioso, à espera do brilho dos seus olhos.
E consegui a graça de ver o retorno, na sua alegria.
Não há “presente” que fique sem retorno, quando é um “PRÉ” SENTIDO, “PRÉ” AMADO.
Minha filha querida,
Espero que se sinta tão feliz e abraçada quanto eu.
Na simplicidade de tudo, a melhor festa aconteceu no colorido, na alegria e no presente verdadeiro, o abraço coletivo, um pedacinho de cada um, um Pré... sente construído por uma família que te ama.
Sinta-se verdadeiramente amada!
Foram dias, foram horas, foram meses, foram presenças, foram abraços, foram palavras, foram tantos os carinhos e de tão variadas formas, que não havia como não ser um verdadeiro cozimento de amor e aconchego.
O terreno foi preparado, e feito fértil de amor.
Enredamos-te, e abraçamos como você merece.
Sejam muito felizes!
E que os fuxicos, atados, flor a flor, cor a cor, por minhas orações maternas, permaneçam colorindo todos os dias de vossas vidas.
Amo-te!
Mamãe.
28/05/2016